Sindicalistas, assentados do Movimento dos Sem Terra (MST), representantes de partidos de esquerda, além de defensores da democracia brasileira ocuparam as ruas de Aracaju na tarde de ontem para explanar o apoio à presidente Dilma Rousseff, e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização que foi realizada em todas as capitais brasileiras teve como foco principal aprovar as investigações da Operação Lava Jato, porém dentro do embasamento ético e moral por parte do poder judiciário. Em Sergipe a adesão foi de aproximadamente 25 mil pessoas, segundo a organização. A Polícia Militar não se pronunciou quanto ao número de militantes.
Desde o último dia 04 de março, quando Lula foi encaminhado para depor na Polícia Federal por decisão do juiz Sérgio Moro, que ordenou também a apreensão de documentos em escritórios e residências ocupadas pelo ex-presidente, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central do Trabalhador e Trabalhadora do Brasil (CTB) articulavam a mobilização geral de ontem. Durante a marcha o grupo destacou que não é contra as investigações sobre os supostos atos de corrupção, mas integralmente recrimina a tentativa de golpe contra o governo federal.
O Partido dos Trabalhadores em Sergipe apresentou anseio em continuar inflamando os petistas a defender a história do partido e de Luís Inácio Lula da Silva. Para o ex-deputado federal, e atual presidente regional do partido, Rogério Carvalho, a população tem sido enganada diariamente por denúncias consideradas por ele como ‘superficiais’ e sem ‘real conteúdo’.
Paralelo às articulações políticas promovidas pelos partidos de direita, a Rede Globo – junto às demais empresas de comunicação do grupo, é avaliada como ‘patrocinadora’ direta dos pedidos de impeachment. Diante da postura jornalística adotada há anos pela família Marinho, a marcha sergipana seguiu até a sede da TV Sergipe, onde permaneceu por duas horas ditando palavras de ordem. "A Globo, juntamente com o juiz Sérgio Moro estão querendo tirar do povo brasileiro a administração que é do próprio povo, e isso nós não vamos permitir. A fábrica de mentiras chegou ao limite e a militância está na rua e segue para a TV Sergipe para mostrar que golpe não vai acontecer", declarou Rogério Carvalho.
Durante o ato público de ontem participaram também representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Sergipe (Sintrase), Sindimina, Sindipema, do Sindicato dos Bancários, entre outros. Jovens ligados à União Nacional dos Estudantes (UNE), do Movimento Levante Popular, e acadêmicos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) também compartilharam com o ato.
Na avaliação da professora Ronise Cardoso, as manifestações realizadas ontem em todo o país tendem a mostrar que o povo, apesar de impactado com as denúncias de corrupção, entende que os pedidos de impeachment e prisão de Lula não passam de manobras arbitrárias e antiéticas promovidas por extremistas da oposição. "Em 2014 enquanto o processo eleitoral nem tinha começado, a Veja, a Globo e os demais canais do Marinho já estavam mostrando as asas para tentar fazer com que o Aécio vencesse. Como não conseguiu nas urnas, agora tentam a todo custo derrubar o governo. Respeitar a democracia é o principal pilar para se ter respeito. A Globo e a justiça estão sendo parciais. Acho justo terminar esse grande ato na porta da TV Sergipe que é filiada a tendenciosa Globo", afirmou.
Polícia – Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o capitão Geovanio, responsável por conduzir a corporação nestes atos públicos, garantiu que a Polícia Militar não se manifesta quanto ao número de manifestantes. Conforme destacado pelo oficial, os organizadores das marchas, e parte da imprensa, acabam ‘criando’ números inferiores para usar como parâmetro comparativo. "Nós não nos pronunciamos. A PM participa dos atos, mas oficialmente não se manifesta sobre a quantidade de pessoas. Sobre a caminhada de hoje podemos informar apenas que possui número maior de componentes se comparado ao ato de domingo", disse.
Uma nova mobilização nacional está prevista para ocorrer no próximo dia 31 de março, em alusão ao golpe vivenciado no ano de 1964. O ato em Sergipe ainda não tem horário e local previstos. O anúncio deve ser realizado no início da próxima semana.


