A persistente falta de água, inclusive na Grande Aracaju, pode custar caro ao governador Fábio Mitidieri nas eleições de outubro, quando disputa a reeleição. O eleitorado vai decidir se quer mudanças ou manter essa tragédia administrativa
O governador Fábio Mitidieri (PSD) proporcionou mais uma semana de caos para os moradores da Grande Aracaju. O feriadão de Tiradentes foi sem água nas torneiras, como está se transformando no novo normal em todo o estado.
Desta vez, como vem ocorrendo há muito tempo, o problema foi atribuído ao rompimento na tubulação da rede num “local de difícil acesso” e às fortes chuvas que vêm caindo no estado. O governo Mitidieri conseguiu até inverter a lógica, quando chuva se transforma em falta d’água.
Caminhões-pipa abastecendo condomínios de luxo na capital são vistos com frequência. As classes média e alta não podem enfrentar o desabastecimento, por isso o governo manda a concessionária deixar sempre esses veículos de plantão para atender os pedidos dos riquinhos.
Há algum tempo, ao ser questionado sobre a falta de água, o próprio governador ironizou um repórter e ofereceu um dos banheiros da sua casa para que ele pudesse tomar banho. Não sei onde mora Fábio Mitidieri, mas certamente teria um caminhão-pipa à disposição caso a sua área fosse premiada com o problema.
Ao justificar a concessão parcial da Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso, ano passado, o governador Fábio Mitidieri (PSD) disse que o objetivo seria a universalização do abastecimento de água potável e coleta e tratamento de esgoto no território sergipano, como preconiza o Novo Marco do Saneamento, cujo prazo para ser totalmente implementado é até 31 de dezembro de 2033. Alegava que a estatal não teria condições de fazer esses investimentos.
Os serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Microrregião de Água e Esgoto de Sergipe (Maes) foram leiloados em 04 de setembro de 2024, na Bolsa de Valores B3, em São Paulo. A concessionária vencedora foi a Iguá Saneamento, que ficará responsável pela administração dos serviços pelos próximos 35 anos. A entrega dos serviços de distribuição de água e tratamento de esgoto da Deso para a Iguá Sergipe ocorreu oficialmente em 1º de maio de 2025, quando a empresa assumiu a operação nesses setores em 74 dos 75 municípios sergipanos, enquanto a Deso manteve a captação e tratamento da água.
Nesse período que administra o sistema, a Iguá conseguiu uma unanimidade: seus serviços são piores do que os oferecidos pela Deso. Se antes as reclamações sobre a falta de água vinham de municípios da região semiárida, hoje vêm de todo o estado, inclusive de Aracaju.
Agora se tornou frequente a falta de água em todos os bairros da capital, a limitação do horário de distribuição, além da demora na execução de serviços de manutenção da rede quando ocorre o rompimento de uma tubulação. A Iguá passa horas – e às vezes dias – para encaminhar equipes de manutenção.
Na verdade, o maior responsável pela crise no abastecimento de água é o governador Fábio Mitidieri quando decidiu privatizar um serviço essencial, contrariando o seu próprio discurso. Em dezembro de 2019 durante a votação do projeto do marco legal do saneamento básico, Mitidieri, então deputado federal, foi contrário à proposta, por entender que a lei poderia provocar a venda das empresas estaduais de água e esgoto.
A justificativa do deputado Mitidieri: “Estamos na Câmara dos Deputados e agora vai começar a votação da lei de privatização das companhias de saneamento. Eu acho um retrocesso, porque as empresas privadas não vão querer levar água para áreas mais distantes, não vou colaborar com a privatização da Deso. As empresas privadas não vão levar água para povoados mais pobres, só vão querer os filés como Aracaju, Estância, Lagarto. Quem vai querer levar água para Pedra Mole, para Itabi, não serão as empresas, mas o estado. Eu não vou colaborar com isso. Vejo esse discurso bonito de que com a privatização as coisas vão melhorar, mas não é assim na prática que a gente vê. E eu não posso colaborar com a privatização da Deso. Eu digo não a esse projeto”.
A persistente falta de água, inclusive na Grande Aracaju, pode custar caro ao governador Fábio Mitidieri nas eleições de outubro, quando disputa a reeleição. O eleitorado vai decidir se quer mudanças ou manter essa tragédia administrativa.
Pintura sobre tela de Marianna FreireAs bets do Banese
O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) decidiu, em sessão plenária realizada na quinta-feira (23), autuar como Representação o acompanhamento instaurado pela 1ª Coordenadoria de Controle e Inspeção (CCI) para monitorar o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) nº 4/2024, conduzido pelo Banco do Estado de Sergipe (Banese), voltado à seleção de parceiro privado para exploração do serviço de loterias no estado.
A decisão do colegiado seguiu o voto do conselheiro relator, Flávio Conceição, que acolheu integralmente os pareceres técnicos da 1ª CCI e do Ministério Público de Contas (MPC). Ambos apontaram indícios de irregularidades na constituição da parceria.
Com a decisão, um processo formal sobre a matéria passa a tramitar na Corte, o que permite uma investigação mais detalhada dos fatos.
De acordo com a análise técnica, há indícios de que a empresa Betsul Concessionária de Serviços Lotéricos do Sergipe, sócia do Banese na subsidiária Loterias de Sergipe S.A., não possui capacidade financeira compatível com a proposta apresentada, que prevê o desembolso de mais de R$ 20 milhões.
Outro ponto destacado pela unidade técnica diz respeito ao fato de a Betsul ser uma empresa recém-constituída, cujas sócias não possuem, em seus registros cadastrais junto à Receita Federal, atividade econômica relacionada à exploração de loterias, apesar de a empresa ter sido criada com essa finalidade específica.
Para o Ministério Público de Contas, os indícios apontam possíveis vícios na fase de habilitação e na própria constituição da parceria, especialmente diante da discrepância entre o capital social e o valor envolvido no negócio, além da ausência de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) compatível.
Título eleitoral
Faltam menos de duas semanas para o encerramento do prazo para regularizar a situação eleitoral antes das Eleições 2026. Até o dia 6 de maio, eleitoras e eleitores podem tirar o primeiro título, transferir o domicílio eleitoral, atualizar dados cadastrais ou regularizar pendências na Justiça Eleitoral. A partir de 7 de maio, o cadastro eleitoral será fechado para a organização do pleito.
Os serviços estão disponíveis de forma on-line, por meio do Autoatendimento Eleitoral, no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou presencialmente nos cartórios eleitorais e postos de atendimento.
Antigamente partidos políticos e candidatos faziam um verdadeiro mutirão para que ninguém deixasse de estar apto para votar.
Comemoração antecipada
O governador Fábio Mitidieri (PSD) foi as redes sociais comemorar o resultado de pesquisa divulgada, quinta-feira (23), pelo desconhecido instituto Unidade de Informação, Pesquisa e Consultoria em que aparece na liderança nas eleições de outubro, quando disputará a reeleição. Reagiu como se a pesquisa fosse uma antecipação do resultado das urnas.
No cenário estimulado, em que os entrevistados recebem uma lista com nomes de possíveis candidatos ao pleito, Fábio Mitidieri registra 40,9% das intenções de voto dos sergipanos. Valmir de Francisquinho (Republicanos) aparece com 23,3% e Ricardo Marques (PL) 8,4%
Na simulação espontânea, quando os eleitores são perguntados em quem irão votar sem receberem informações prévias, Fábio é a escolha de 32,2%, Valmir é mencionado por 18% dos sergipanos, e Ricardo por 3,9% do eleitorado do estado.
Registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número SE-00979/2026, o levantamento foi realizado entre os dias 10 e 14 de abril.
Já levantamento feito pelo Instituto W1 divulgado na sexta-feira (24) Valmir de Francisquinho à frente na disputa pelo Governo do Estado este ano. Segundo o levantamento, Valmir aparece na liderança no cenário estimulado, com 39,9% das intenções de voto enquanto Fábio Mitidieri surge em segundo, com 35,3%, configurando uma diferença de 4,6 pontos percentuais.
Na sequência, vem Ricardo Marques, PL, que registra 9,8%, enquanto Dr. Emerson, PSOL, aparece com 1,9% e Emanoel Cacho, PSDB, soma 0,7%. Brancos e nulos representam 5,9% e outros 6,5% não souberam ou não responderam.
No cenário espontâneo – quando o eleitor não recebe uma lista de candidatos – Valmir também lidera com pequena vantagem, com 26,8%, contra 22,5% de Fábio Mitidieri. Ricardo Marques aparece com 3,1% e Emília Corrêa com 1,4%. A taxa de indecisos ainda é alta, chegando a 42,7%, o que indica espaço para movimentação no cenário eleitoral.
A pesquisa, registrada no TSE sob o nº SE-09767/2026, foi realizada entre os dias 17 e 20 de abril de 2026, com 1.000 entrevistas em todas as regiões de Sergipe, incluindo áreas urbanas e rurais. O levantamento tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%
A campanha eleitoral só vai começar em julho, após as convenções partidárias, em plena Copa do Mundo. Mitidieri tem a seu favor a máquina estadual, além dos R$ 2 bilhões que couberam ao estado na concessão parcial da Deso, mas carrega o peso da falta d’água, uma administração pífia e que massacra os servidores públicos.
Manguezais
A salvaguarda e a restauração dos manguezais sergipanos serão o centro dos debates durante o II Fórum Pescando Saberes, que acontece entre os dias 27 e 29 de abril, no Auditório do Departamento de Geografia (DGE) da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O evento é uma realização do Instituto de Desenvolvimento Vale do Cotinguiba (Idesa Brasil) em parceria com a Petrobras, e conta com o apoio institucional da UFS.
A iniciativa se configura como um espaço estratégico de articulação entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais. Durante os três dias de programação, estudantes, professores e pesquisadores, especialmente das áreas de Biologia, Geografia, Engenharia de Pesca e Ciências Sociais, terão a oportunidade de dialogar diretamente com lideranças quilombolas, comunidades ribeirinhas e representantes do Ministério Público Federal.

