O Dia Internacional da Mulher, celebrado ontem reuniu centenas de pessoas em uma grande mobilização no centro de Aracaju.
Com o tema ‘Combate à Violência Contra as Mulheres’, os manifestantes percorreram as ruas de Aracaju chamando a atenção sobre agressões praticadas contra a população feminina e a necessidade de ações púbicas que garantam os direitos de atendimento das vítimas.
O ato público foi organizado pelo Motu, MST, Casa das Domésticas, Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, CUT, CSP-Conlutas, Conselho Regional de Serviço Social, Senge, Sintese, Sidisan, MPA, MMC, PCB, PSOL, PSTU e Coletivo de Mulheres de Aracaju. Durante a manifestação, representações de vários movimentos sociais lembraram a importância histórica na data na luta organizada em defesa dos direitos das mulheres e por um mundo sem machismo e exploração.
"O combate à violência é uma luta histórica de toda a sociedade, sendo um momento de mobilização para discutir os desafios da rede de proteção à mulher e as políticas públicas voltadas para esse grupo social", destacou Ana Cristina Oliveira, integrante da Consulta Popular.
Ana Cristina destacou que o Brasil ocupa hoje 7º lugar no ranking de homicídios de mulheres no mundo e Sergipe, o 18º lugar entre os estados brasileiros. "A violência contra a mulher aumentou, e na contramão desta estatística Sergipe tem apenas um departamento para atender a enorme demanda de casos. No interior, a estrutura ainda é mais precária. Também não existem muitas policiais femininas nestes espaços para fazer o atendimento e a mulher várias vezes é constrangida quando busca socorro", diz Ana Cristina.
O ato público começou às 8h na Praça Olímpio Campos, com concentração em frente à Catedral. Após a concentração, o grupo saiu em passeata pelas principais ruas da capital e finalizou a manifestação no prédio da Assembleia Legislativa, quando entregou um documento aos parlamentares, reivindicando ao Governo do Estado a implantação de delegacias para mulheres que funcionem 24 horas, e não apenas um departamento como existe atualmente.
Um levantamento realizado com base em ocorrências registradas pelo Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DEAGV) revela que nos dois primeiros meses deste ano já foram registradas cerca de 530 denúncias de agressão à mulher.
Câncer mata 50 mulheres por ano em SE
Cândida Oliveira
Câncer, Aids, hepatite, essas são doenças muito discutidas no universo feminino e que cada vez mais atinge milhares de mulheres.
Mesmo com consultas mais frequentes que o homem, Sergipe registra uma média de 50 casos de morte em decorrência do câncer de colo do útero todos os anos.
De acordo com o responsável técnico pelo programa de Saúde da Mulher da Secretaria de Estado da Saúde (SES), André Baião, o grande problema é que as mulheres deixam para realizar os exames muito tarde.
"Numa fase inicial, a doença é assintomática, ou seja, as pessoas não sentem nada, e aí, quando elas procuram o serviço de Saúde, já estão com o câncer avançado", explica. A região Norte do país é a que registra os maiores índices de óbitos por conta do câncer de colo de útero, seguida pela região Nordeste.
O que muitas mulheres não sabem, é que existe um programa nacional de rastreamento para esse tipo de câncer. No caso do colo de útero, há um exame preventivo de lâmina citopatológico ou mais popularmente chamado de Papanicolau. Esse exame é realizado através de coleta nas unidades básicas, feita geralmente pelo enfermeiro da equipe de Saúde da Família. É um exame importante porque detecta a presença de um vírus que é o HPV. Caso seja detectada uma infecção na mulher pelo vírus, ou se ela tiver feridas características, o tratamento é realizado antes de a mulher contrair câncer, o que possibilita 100% de chance de cura.
Na rede de saúde aracajuana, também há um programa voltado exclusivamente para as mulheres, é o Saúde da Mulher. O programa tem o objetivo de fortalecer as políticas públicas de cuidado e promoção da saúde da Mulher.
A coordenação do programa está localizada na Secretaria Municipal de Saúde, no bairro Siqueira Campos, e as ações são desenvolvidas nas 43 Unidades Básicas de Saúde municipais e no Centro de Especialidades Médicas, também no Siqueira Campos.
Segundo a gerente dos Programas de Atenção Especializada, Cristiani Ludmila, o programa oferece ações de prevenção dos cânceres de colo do útero e de mama, assistência pré-natal, planejamento reprodutivo e prevenção da violência contra a mulher.
"O programa está disponível para todas as faixas etárias da mulher. A prevenção do câncer de colo do útero, por exemplo, prioriza as mulheres entre 25 e 64 anos, faixa etária com maior risco de surgimento da doença. Na prevenção do câncer de mama é oferecida a mamografia a partir dos 40 anos", assegura ela.
A frente de trabalho que tem uma maior demanda é a assistência pré-natal, com cerca de 7 mil nascimentos/ano nas maternidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde. É oferecida também a assistência pré-natal para gestantes de alto risco, àquelas que apresentam agravos como hipertensão, diabetes, cardiopatias, dentre outros. No início do pré-natal são oferecidos cerca de 10 exames laboratoriais, o que facilita o diagnóstico precoce e tratamento de doenças como sífilis, Aids, toxoplasmose, hepatite B, dentre outras.
Comitê de Desarmamento alerta para violência
Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Na tentativa de conscientizar e sensibilizar a população quanto aos altos índices de violência contra as mulheres, na tarde de ontem foi realizado na Praça Fausto Cardoso, em Aracaju, um debate para identificar quais soluções imediatas podem contribuir para que ocorrências dessa natureza não continuem sendo registradas no estado de Sergipe. Além da presença de militares, o ato reuniu representantes de diversas religiões, sindicatos e órgãos públicos. De acordo com dados apresentados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), em 2012, 27 mulheres foram assassinadas com emprego de arma de fogo.
De acordo com Ângela Machado, membro do Comitê de Desarme, todo e qualquer trabalho que seja realizado com o objetivo de retirar uma arma das ruas, já pode ser considerada uma ação vitoriosa. "Percebe-se que não contamos com um grande público na tarde de hoje, mas temos certeza que esse nosso trabalho de formiguinha vai contribuir para que acidentes, muitas vezes domésticos, sejam evitados. Às vezes as pessoas acham que ter uma arma é sinônimo de segurança, e a verdade não é bem essa", declarou. Para incentivar o desarmamento, o Governo Federal oferece uma recompensa financeira que pode variar entre R$ 100 e R$ 300.
Questionada quanto ao número de armas entregues nos últimos meses, Ângela disse que os sergipanos gradativamente vêm se destacando nacionalmente. No ano passado, proporcionalmente Sergipe foi o terceiro estado que mais registrou a adesão a essa campanha. "Isso mostra o quanto o nosso povo deseja um estado mais seguro e com paz. Violência só gera violência e na maioria das vezes só trás problemas ainda maiores. Esperamos que ao final de 2013 possamos nos destacar ainda mais, e quem sabe chegar ao topo do ranking. Queremos e desejamos paz para todos, só isso", pontuou.


