Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br
Cerca de 250 famílias que vivem em um assentamento no Povoado Jatobá, às margens da rodovia SE-100, entre Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju) e Pirambu (Litoral Norte) interditaram a principal via de acesso aos municípios no começo da manhã de ontem, em protesto contra os constantes acidentes registrados no local. Recentemente, duas crianças do assentamento foram atropeladas na pista e uma delas ainda permanece hospitalizada.
A manifestação foi organizada por integrantes da União Nacional Por Moradia Popular, que moram no povoado. Eles cobraram a implantação de redutores de velocidades e melhorias de serviços de saúde, com a conclusão da reforma do posto de saúde localizado no povoado. "Aqui os acidentes têm sido constantes e sem uma providencia dos órgãos públicos. Os carros trafegam em alta velocidade provocando atropelamentos", reclama Jorge Luiz dos Santos, integrante da entidade.
Os moradores também temem que mais acidentes aconteçam, com a proximidade do feriadão de Carnaval. Eles lembram que a rodovia SE-100 é um dos principais destinos turísticos de Sergipe, com grande índice de acesso de carros durante o verão, por conta da localização de praias e de ser um acesso a Pirambu, que tem uma das principais programações carnavalescas do Estado.
A Rodovia SE-100 se divide em dois trechos. O primeiro fica entre a Barra dos Coqueiros e o entroncamento com a SE-240 (Porto de Sergipe), com extensão de 14 quilômetros. O outro vai até a sede do município de Pirambu, cujo acesso é no entroncamento da SE-226, próximo a Santo Amaro das Brotas. Ali, a extensão chega aos 15 quilômetros.
Considerada estratégica economicamente, a SE-100 fica em área adjacente ao município da Barra dos Coqueiros, onde foi instalada a Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Depois da mudança, a pista passou por reforma para suportar o crescente tráfego, mas os problemas continuam ao longo da via. Segundo Jorge, os motoristas não respeitam o limite de velocidade do trecho, de 40 quilômetros por hora, e muitas vezes invadem o assentamento.
Negociação – O protesto durou cerca de três horas e provocou um engarrafamento de mais de um quilômetro. Os moradores colocaram galhos de árvores, troncos de coqueiros e tonéis na via. Eles só liberaram a pista após a chegada de representantes da Secretaria de Estado da Infraestrutura e do Desenvolvimento Energético Sustentável (Seinfra), da Secretaria Municipal de Saúde de Barra dos Coqueiros e do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), que propôs um prazo para atender a reinvindicação das famílias.
O secretário estadual da Infraestrutura, Valmor Barbosa, esteve no local e informou que o órgão vai estudar a melhor forma de atender ao pedido da comunidade. Já a Secretaria de Saúde da Barra informou que o posto do povoado voltará a funcionar dentro de 10 dias. "Vamos aguardar os 15 dias para que sejam realizados os estudos e a implantação do quebra-molas e também acompanhar o prazo dado pela Prefeitura para concluir a obra de recuperação do posto de saúde. Se nada for feito, vamos fazer outro protesto", avisou Jorge.


