Milton Alves Júnior
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R$ 8 milhões. Esse é o valor estimado que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pretende utilizar para indenizar 114 famílias que residem no povoado Pedra Branca, em Laranjeiras. A remoção das famílias, conforme análise estrutural e operacional, é peça fundamental na proposta de construção dos dois viadutos e das duas passarelas previstos para serem erguidos nas intermediações da ponte do Rio Sergipe entre o Km 77 e o Km 78. A obra visa proporcionar maior segurança dos condutores, além de qualificar o fluxo de automóveis.
Apesar da proposta de melhoria de vida, compra e valorização dos imóveis, muitos proprietários se mostram desinteressados em firmar acordo com o DNIT, e, consequentemente, ter que deixar os imóveis. O processo de diálogo junto com cada responsável ocorre desde o ano passado quando técnicos estiveram nos imóveis contidos no projeto de demolição, e realizaram vistorias a fim de avaliar o custo das casas. Diante da resistência apresentada por alguns moradores, os trâmites seguem para a Advocacia Geral da União (AGU). A obra geral está orçada em R$ 32 milhões.
O contratempo gerado ao projeto arquitetônico, na avaliação feita por Alexandre Monteiro da Cunha, superintendente do DNIT, faz parte das amplas mudanças que serão enfrentadas por cada família. Mesmo com a resistência de alguns proprietários, o gestor diz acreditar no progresso continuo do diálogo e solucionar o impasse já em curto prazo. "É bem provável que realizemos um mutirão para resolver essas questões que devem ser reparadas o mais rápido possível. Não queremos prejudicar ninguém, por isso estamos buscando o diálogo para que possamos resolver isso sem gerar perdas para as famílias", disse.
Conforme previsão do órgão, as obras devem ser iniciadas no próximo mês de setembro, e provavelmente concluídas na última quinzena de setembro do próximo ano. Ainda de acordo com Alexandre Monteiro, a comodidade tem contribuído para que muitos não estejam interessados em vender as respectivas casas para o DNIT. Sobre o valor atribuído para cada imóvel, o superintendente enalteceu que no ano passado o preço avaliado foi aprovado por cada família.
"Temos plena noção que uma mudança dessa não é fácil para ninguém, mas temos também a plena convicção de que estamos atuando com a justiça dos fatos. Não estamos nem valorizando os imóveis, muito menos rebaixando os valores. A comodidade existe, o desejo de ganhar um pouco mais com a venda, também. Tudo isso será resolvido em breve", pontuou. Na manhã de ontem, por telefone, a moradora Ana Célia da Silva disse ao Jornal do Dia estar disposta a negociar com o órgão federal, mas é necessário que haja integral comprometimento por parte dos gestores.
Residente no povoado há 28 anos, ela garante que as casas foram reformadas e hoje possuem valores mais expressivos se comparado ao período em que as vistorias foram realizadas. "Realmente deixar a nossa casa é difícil, mas a gente até aceita. O que não dá para permitir é que mesmo depois de algumas reformas que eu mesmo fiz na minha casa, ela não tenha uma melhor valorização. Eu não aceito deixar meu canto pelo preço do ano passado. Se subir (o valor), eu mesmo saio daqui e deixo a área livre pra essa obra", informou. Reuniões com líderes comunitários estão previstas para ocorrer a parir da próxima semana e devem seguir por todo o mês de agosto.


