Milton Alves Júnior
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Problemas no serviço de saneamento básico na rua Antônio Torres, município de Pirambu, têm causado transtornos para centenas de moradores. Conforme denúncias apresentadas ao Jornal do Dia, diariamente, por volta das 5h30, a Companhia de Saneamento Básico de Sergipe (Deso) libera, através das tubulações subterrâneas, um produto líquido com coloração ferrugem que invade as moradias e causa prejuízos para a população. Intrigados com a situação, um grupo de moradores buscou a Prefeitura de Pirambu para inviabilizar a liberação dessa água, mas não vem obtendo sucesso.
Segundo explicações técnicas apresentada pela assessoria de comunicação do município, por se tratar de uma via muito próxima do litoral, a tendência é que, com o aumento da maré, que ocorre entre as 5h e 7h, a rua fique inundada com a água do mar que acaba saindo por tubulações da Deso e pontos de escoamento de esgoto, a exemplo de ralos tipo ‘boca de lobo’. De acordo com o morador Antônio Barreto, o popular Galdino, ao longo dos últimos meses de 2014 a prefeitura e a Deso foram procuradas para tentar solucionar o impasse, mas ambas teriam atribuído situações opostas para o problema. Sem apoio pleiteado, a comunidade clama por intervenção do Ministério Público Estadual (MPE).
Preocupado com o descaso, o denunciante enaltece uma possível falta de infraestrutura na cidade. Segundo ele, os transtornos atuais só são possíveis em virtude de projetos mal desenvolvidos no passado e que se prolongam desde gestões anteriores. Além disso, Galdino acusa diretores da Deso de não se interessar em buscar soluções imediatas para as enchentes. "Se o problema é da natureza, então porque construíram a cidade em cima de uma área vulnerável para esse tipo de transtorno. É preciso criar ferramentas para escoar essa água antes que ela suba o nível, inunda as ruas e invada as casas. Infelizmente já procuramos a Deso e a prefeitura e nenhum das duas de mostraram preocupadas em resolver esse caso que mexe diretamente com pelo menos 500 pessoas", afirmou.
Moradora da rua há mais de dez anos, Rosa Maria Paixão disse já ter perdido patrimônios em virtude do problema. Todos os dias a partir das 5h a comunidade residente nas ruas próximas a Antônio Torres já esperam com ansiedade a subida da água. Cansada de aguardar soluções operacionais e nada ser testemunhado, ela decidiu participar das manifestações públicas e assinar um documento exigindo ações emergenciais por parte dos governos. "Não podemos ficar vendo essa situação ridícula e não pressionar os responsáveis para que possam acabar de vez com esse descaso. A água é suja e quando acontece de invadir as casas, além de manchar as paredes, ainda estraga o que tem pela frente. Independente de quem seja a culpa, ou responsabilidade, nós exigimos melhorias", declarou.
Prefeitura – Por meio da assessoria de comunicação, a Prefeitura de Pirambu voltou a informar que possui total conhecimento da denúncia, mas não pode adotar nenhuma providência paliativa a fim de atender o pleito popular. Segundo o jornalista Chico Freire, apenas em caso de fornecimento irregular da água própria para consumo humano é que a administração municipal intervêm junto à Deso. "Esse problema é natural da área e a cor ferrugem é comum da maioria das cidades litorâneas de Sergipe. Essa água surge através de poços perfurados pela própria população ou quando a maré enche. Infelizmente essa é uma ação da natureza e na atual circunstância não podemos fazer muita coisa para evitar essa ocorrência", informou.
Deso – Confirmando a liberação da água ferrugem, a direção da Companhia de Saneamento Básico do Estado de Sergipe (Deso), informou que esse procedimento é normal. Este tipo de liberação de água barrenta ocorre para realizar a limpeza dos filtros contidos nos reservatórios, e assim, fornecer água de qualidade para a população. Quanto as enchentes, foi enaltecida a necessidade de limpeza dos canais de escoamento para evitar este tipo de transtorno. "A diretoria operacional informou que este tipo de serviço é necessário para que as águas que saem dos reservatórios e seguem para as casas estejam dentro dos padrões de qualidade, necessárias para o devido consumo. É preciso desobstruir as vias para que essa água não fique acumulada nas ruas", comunicou a Deso.

