Moradores de Umbaúba protestam pela morte de Genivaldo

Por mais de duas horas moradores do município sergipano de Umbaúba voltaram a ocupar e bloquear parte da rodovia federal BR-101. A ação aconteceu no início da manhã de ontem com o objetivo de protestar contra a ausência do relatório final que investiga desde o mês de maio, a morte de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos. Cidadão umbaubense, a vítima perdeu a vida no dia 25 de maio após abordagem protagonizada por três agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com o boletim técnico apresentado por peritos do Instituto Médico Legal (IML), Genivaldo de Jesus morreu por asfixia e insuficiência respiratória, em virtude da imensa inalação de gás tóxico.
Após ser abordado pelos agentes federais, Genivaldo teve as mãos e pernas amarradas antes de ser posicionado na parte traseira da viatura; após essa ação, um dos agentes acionou uma bomba de gás lacrimogênio e arremessou no próprio carro da PRF, enquanto outro agente público segurava a tampa da mala, minimizando qualquer possibilidade de a vítima conseguir sair da câmara de gás improvisada. Paralelo à cobrança popular, entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público Federal (MPF), Senado Federal, Câmara Federal, entidades sociais, e corporações internacionais, a exemplo da Organização das Nações Unidas (ONU), também já apresentaram documentação pública exigindo investigação breve e punitiva.
Conforme já apresentado pelo JD, o boletim operacional foi assinado por cinco policiais federais, sendo que as imagens capturadas mostram que apenas Kleber Nascimento Freitas, Paulo Rodolpho Lima Nascimento e William de Barros Noia são apontados como os principais responsáveis pela abordagem. O nome de cada policial foi inicialmente revelado pelo portal ‘The Intercept Brasil’. Durante o ato público realizado ontem, familiares e amigos destacaram – em mais uma oportunidade – que a vítima tinha esquizofrenia e tomava remédios controlados há cerca de 20 anos. Sobrinho da vítima, Wallyson de Jesus, lamenta que o processo de análise esteja prestes a completar quatro meses. Essa situação ocorre em virtude de três pedidos de adiamento do prazo – o mais recente registrado no dia 05 desse mês.
Estes pleitos foram apresentados junto ao Ministério Público Federal (MPF), por intermédio da comissão que investiga os fatos; estas análises contam com a participação direta de técnicos escolhidos pela Superintendência Nacional da Polícia Federal, bem como pela própria Superintendência Regional da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Desde a última semana de maio, todos os envolvidos na abordagem estão afastados de todas as atividades funcionais. Essa medida deve permanecer até o momento em que o inquérito seja finalizado e o Poder Judiciário delibere pelo futuro dos réus. Apesar das manifestações exigindo agilidade, ainda não há perspectiva de quando os estudos serão finalizados e posteriormente apresentados pela comissão.

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