Moradores denunciam prédio abandonado no Siqueira Campos

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Moradores do bairro Siqueira Campos, em Aracaju, voltaram a criticar o poder público pela ausência de medidas paliativas junto a abandonada Clínica da Saúde Santa Maria que fica localizada na Rua Paraíba com Espírito Santo. Fechado há mais de um ano, o local tem sido utilizado por marginais como ponto de refúgio, tráfico de entorpecentes, armazenamento de produtos roubados, além da proliferação de ratazanas e escorpiões. Quem é obrigado a transitar nas proximidades do imóvel garante que não suporta mais a desordem pública articulada pelos invasores. Em setembro do ano passado neste ambiente foram encontradas caixas de medicamentos vencidos, seringas usadas e restos de drogas como maconha, cachimbos de crack e papelotes de cocaína.

Quem mora nas intermediações da antiga clínica enaltece a necessidade imediata de uma intervenção judicial contra o responsável pelo imóvel e aponta o problema como corriqueiro e progressista no âmbito negativo. Paralelo à invasão de meliantes e usuários de crack, carroceiros de diversas regiões da cidade encontraram na antiga Clínica da Saúde Santa Maria o local ideal para despejar entulhos oriundos de construções e lixos dos próprios moradores. Ciente que a tendência é piorar, caso a justiça sergipana não intervenha, a aposentada Maria Lúcia do Rosário garante que o espaço será utilizado como polo central para o comércio de drogas. Impaciente, ela clama por ações públicas e apoio do Ministério Público Estadual (MPE).
"Antes a gente dizia que só quem mora aqui é que sofre com esse abandono, mas passamos a perceber que os que passam por aqui também são prejudicados porque os caras roubam os estudantes e correm aí pra dentro. Se ninguém fizer nada por nós isso aqui vai piorar", afirmou.

A clínica, que antes prestava atendimento a pacientes psiquiátricos na capital sergipana, decretou falência e desde o primeiro semestre de 2012 cessou os atendimentos. Na madrugada do dia 20 de setembro um princípio de incêndio provocou pânico aos moradores. Na época, o Corpo de Bombeiros Militar informou que o sinistro foi registrado após um casal de invasores ter botado fogo em pedaços de madeira.

O mau cheiro que sai do acúmulo de lixo também é motivo de crítica por parte dos moradores. De acordo com o empresário Maurício Oliveira, recepcionar amigos dentro de casa tornou-se uma missão quase impossível. Morador da Rua José Emídio da Costa, ele garante que o odor atravessa um raio de 100 metros². "Quem passa dentro dos carros, de moto ou a pé pode até não sentir, mas quem mora e todos os dias estão descansando nas respectivas casas sabem muito bem do que estou falando. Se eu que moro um trecho depois estou insatisfeito, imagine quem mora ao lado ou de frente. Já passou do tempo da justiça ou algum parlamentar resolver essa questão", disse.

Por duas oportunidades a coordenadoria da Vigilância Sanitária do Município tentou conduzir o proprietário do prédio ao espaço a fim de apontar os problemas, mas segundo informações apresentadas pelo coordenador Ávio Britto, ele teria descartado a falta de segurança no local e as seringas encontradas ainda no ano passado eram oriundas dos usuários de drogas. Nesse caso existe uma clara contradição, já que o responsável garantiu a existência de segurança no local. A última reclamação apresentada pelos moradores foi no mês de abril deste ano. Ao Jornal do Dia os populares garantem que nenhuma medida que modificasse a situação foi adotada pelos órgãos competentes, ou pelo proprietário.

Para quem precisa fazer refeições, o dia-a-dia tem se transformado em árdua missão. O gosto, segundo a aposentada Geruza Maria Bezerra, já não é mais o mesmo. "Eu vi essa clínica ser inaugurada e tive o desprazer de vê-la falir. Já não aguento mais ficar as manhãs aqui tentando fazer uma comida boa e cheirando esse fedor que sai aí da frente. O pior disso tudo é perceber que a cada dia a situação fica pior e ninguém faz nada para atender a nossa reivindicação. Cadê os deputados e vereadores? Ah! Estão nas ruas pedindo voto", criticou Dona Geruza, que mora na localidade há 42 anos.
Durante o dia de ontem nossa equipe de jornalismo tentou conversar por telefone com o responsável pelo prédio, mas o mesmo preferiu não se manifestar quanto ao assunto abordado.

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