Milton Alves Júnior
Com suspeitas de intoxicação, morado res do Povoado Bom Jesus, no município sergipano de Laranjeiras, se dirigiram no último domingo, 03, para a Associação Beneficente Hospital São João de Deus, em busca de assistência médica especializada. Conforme relatos dos pacientes, durante o final de semana se depararam com ardência nos olhos e com grande dificuldade para respirar. A princípio, os moradores acreditavam que os sintomas surgiram a partir de um um suposto vazamento de amônia na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), subsidiária da Petrobras. Ao todo foram dez prontuários protocolados na unidade hospitalar. Por meio de nota a empresa estatal descartou possibilidade de vazamento.
De acordo com a Petrobras, após receber comunicados oficiais indicando possibilidade de vazamento e prejuízos à saúde de moradores próximos da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, de imediato uma equipe técnica se dirigiu à região, onde realizou medições no povoado. Em dois boletins emitidos pela manhã, e no final da tarde, a empresa alegou que não foram encontradas anormalidades. A companhia esclareceu ainda que a Fafen não é a única unidade industrial na região, e que nas próximas horas seguirá realizando novas medições e verificações em suas instalações como forma de manter a segurança das instalações, e, consequentemente, dos moradores.
"A princípio imaginei realmente que tenha sido um incômodo causado por algum vazamento causado pela Fafen, já que ela parou de funcionar e tudo isso começou a acontecer entre o final de tarde da sexta-feira e o domingo. Como estudo em Aracaju durante os finais de semana, eu não senti tanto quanto meu primo que foi uma das pessoas que tiveram que ir para o hospital", declarou Júlio Reis. Ao JORNAL DO DIA ele enalteceu a necessidade de a Petrobras, os demais grupos industriais em produção no munícipio e os órgãos de fiscalização intensifiquem, juntos, a operacionalidade das fábricas. O pedido tem como meta vetar qualquer possibilidade da recorrência dos fatos.
"É uma questão de ordem e de saúde pública, coletiva. Não nos importa de quem foi a culpa ou o que teria causado essa intoxicação. O fato é que muitas pessoas ficaram com os olhos ardendo, outras sem conseguir respirar naturalmente e outras foram obrigadas a se dirigir a uma unidade de saúde. Não sei de quem é a competência, Ministério Público Estadual, talvez, mas algum órgão precisa monitorar isso, e as empresas redobrarem os cuidados", relatou. A Petrobras informou que voltará a se manifestar sobre o assunto assim que o relatório da nova mediação tenha sido concluido.


