O sonho de conquistar uma moradia digna ainda não foi concretizado pelas famílias que vivem no Residencial Jardim Santa Maria, localizado na zona sul da capital. Sem acessos a vários serviços, a comunidade cobra do poder público que assegure as condições básicas de habitação.
O residencial, que possui 281 casas, foi construído dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, com financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), beneficiando as famílias com renda entre um e três salários mínimos.
A proposta da obra foi dar continuidade a política habitacional iniciada com o Programa de Arrendamento Residencial (PAR) há mais de uma década.
Foram construídas unidades residenciais com dois quartos, banheiro social, sala, cozinha e quintal. Parte das residências é adaptada para pessoas com deficiência.
O líder comunitário, Edjan Cruz, lembra que apesar da sua importância para garantir moradia à população mais vulnerável socialmente, o conjunto habitacional não tem recebido atenção do poder público. "O residencial foi entregue sem a infraestrutura necessária às famílias, como a instalação dos serviços de água, energia, esgoto e pavimentação", cita.
Ele diz que desde a criação do local, há três anos, muitas ruas continuam intransitáveis, com buracos, inviabilizando a passagem de veículos, o que prejudica a população.
Edjan ressalta que no local moram muitos idosos, pessoas com deficiência, gestantes, havendo uma grande demanda de atendimento que termina prejudicado sem o acesso das ruas.
Ele destacou que ambulâncias e viaturas policiais não conseguem transitar por causa das condições das ruas. O líder comunitário enfatiza ainda que moradores como estudantes e trabalhadores também são prejudicados com uma longa distância até a parada de ônibus mais próxima porque as vias não apresentam condições de tráfego para carros grandes.
"A construção do residencial representou um sonho da moradia, mas passado o tempo de inauguração das casas os moradores ainda sofrem sem escolas, poucos funcionários no posto de saúde, ruas com lama quando chove e poeira quando faz sol. Infelizmente fomos esquecidos pelo poder público", afirma.
Ele conta que problemas de infraestrutura, saneamento básico e esgoto também são enfrentados todos os dias pela população. Edjan mencionou que uma comissão de moradores chegou a entregar um oficio a Deso e a Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), mas nada foi resolvido.
Outra reclamação é que as casas, que possuem pouco mais de três anos de entregues, já apresentam rachaduras. Em 2011, uma ação do Ministério Público Federal autorizou a Emurb a liberar a Engeb Botelho Engenharia Ltda para iniciar as obras de construção do Residencial Jardim Santa Maria. Uma das condições determinadas pela justiça era que a obra só fosse iniciada caso a Engeb se comprometesse a ligar a rede de microdrenagem do condomínio à rede de macrodrenagem já existente no local. Outra exigência da justiça foi que o esgoto doméstico do empreendimento fosse levado diretamente à estação de tratamento da Deso.
Apesar das determinações judiciais, o líder comunitário destaca que pouca coisa mudou no condomínio desde a entrega das casas. "Não temos sequer CEP para identificação das ruas. Esta é a maior prova de que não existimos para o poder público", lamenta.
Ele ressalta que os moradores precisam se locomover até o Orlando Dantas para terem acesso às correspondências, pois os correios não podem atuar no local sem os endereços das casas.
Com relação à denúncia apresentada pelos moradores do Residencial Santa Maria, a Assessoria de Comunicação da Deso informou que no dia 18 de deste mês, equipes estiveram no local para realizar uma avaliação da situação e foi executado o serviço de manutenção.
A Emurb também falou sobre as reclamações dos moradores, informando que aguarda a conclusão de algumas obras de saneamento executadas pelo Governo no Estado, para em seguida fazer atuar de forma consistente na drenagem e no recapeamento asfáltico da região. Como medida é emergencial, a Diretoria de Operações da Emurb encaminhará técnicos ao local para avaliar o que é possível realizar de forma imediata.
Já sobre as reclamações de rachaduras nas casas, a Engeb esclareceu que este problema não existe, mas sim provavelmente fissuras de reboco, que são corrigidas quando necessárias e que não afetam a estrutura das residências.
Ainda de acordo com informações da empresa, todas as solicitações e reclamações feitas pelos moradores através da Ouvidoria da Caixa Econômica Federal (CEF) são encaminhadas para a construtora que atende rigorosamente os prazos determinados pelo banco.
Os moradores já programam uma nova grande mobilização no início da próxima semana fechando a principal via que dá acesso ao residencial. (Kátia Azevedo)


