Moradores do Porto Dantas protestam por moradia

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Um grupo formado por moradores do bairro Porto Dantas, em Aracaju, realizou um ato com o propósito de chamar a atenção dos sergipanos para possíveis irregularidades quanto à construção do conjunto habitacional prometido para famílias carentes através do Programa Pró Moradia. Este empreendimento residencial é custeado pelo Governo Federal, através do Governo de Sergipe. Conforme denúncias apresentadas pelos manifestantes que ocuparam parte da avenida Euclides Figueiredo, é perceptível que existe falta de transparência na construção do conjunto, e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedurb), responsável por dar seguimento ao serviço, não estaria disposta atender o pleito dos futuros moradores até o início da mobilização.

Financiado pela Caixa Econômica Federal, este novo conjunto prevê a construção de 580 moradias. Em dezembro do ano passado, mais precisamente na véspera de Natal, o Governo do Estado fez a entrega da última etapa do Programa Pró Moradia que foi construída no município de Nossa Senhora do Socorro e beneficiou 600 famílias. Naquela ocasião, o governador Jackson Barreto enalteceu a importância do programa e garantiu que as demais obras seguem respeitando o cronograma inicial. Durante a mobilização de ontem os moradores disseram entender o aceleramento da obra, mas reivindicam transparência em cada etapa concluída. Ao todo, mais de 50 pessoas participaram da manifestação que iniciou por volta das 9h30.

De acordo com Aldair da Silva Santos, comissões foram formadas a fim de debaterem como os sorteios referente à entrega dessas casas devem ser realizados. Segundo o denunciante, que foi um dos convidados para participar da comissão formada por 30 representantes familiares, é inadmissível que um pequeno grupo represente centenas de pessoas. "Como é que 30 pessoas vão responder pela opinião de quase 600? Sabemos que a obra anda normalmente e que está prestes a ser finalizada, mas estamos reunidos para lutar por um debate aberto, com todas as famílias e não com poucos em sala fechada. Fui convidado para a comissão, mas me solidarizo com os futuros vizinhos que não foram", disse.

Durante o ato os manifestantes foram surpreendidos com a presença de um coordenador do programa habitacional. Durante o diálogo foi prometido uma reunião a ser realizada já na próxima semana e que terá como principal pauta a perspectiva de ampliar a transparência das obras e dos sorteios. Com essa atitude presencial do coordenador, o grupo acredita que pode conquistar possíveis mudanças administrativas. "Ele informou que o governo está disposto a buscar avanços e ações que possam ajudar a gente. Não queremos muita coisa, apenas queremos que esses sorteios sejam justos e sem nenhum tipo de manipulação. Queremos que o certo prevaleça independente de quem seja o beneficiado", pontuou Aldair, um dos organizadores da manifestação que foi pacífica.

Outros debates – As famílias beneficiadas com a moradia popular também questionam o governo sobre a construção de residências em uma área de mangue. Por se tratar de uma zona vulnerável à salubridade, muitos moradores se negam a conquistar essas casas. "Tem uma parte do conjunto que está no mangue e ninguém quer ir pra essa área. É preciso que os engenheiros responsáveis pela obra possam explicar o porquê desse erro e como esse mesmo erro deve ser reparado. Infelizmente isso é o que tem disponível para o pobre. Quero não acreditar que Jackson vai deixar essa situação desse jeito", disse o manifestante Fabrício dos Santos.
Quanto a este caso, a organização do ato informou que o caso já foi denunciado junto ao Ministério Público Estadual (MPE). Até o início da noite de ontem nenhuma resposta foi dada pela Promotoria de Meio Ambiente. As famílias aguardam por posicionamento jurídico já na próxima segunda-feira, 18.

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