Milton Alves Júnior
A lentidão nos atendimentos médicos, paralelo à falta de higienização e oferta de escala completa de profissionais da medicina e enfermagem fez com que dezenas de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) se aglomerassem em frente à entrada principal do Posto de Saúde Hugo Gurgel, a fim de promover um protesto contra a Prefeitura de Aracaju. Situado no bairro Coroa do Meio, zona Sul da capital, essa não é a primeira vez que pacientes decidem se acorrentar no portão de acesso com o propósito de chamar a atenção dos órgãos administrativos municipais; os manifestantes também visavam provocar os órgãos de fiscalização.
Sem apresentar apoio ao ato público, muitos trabalhadores, impossibilitados de ter acesso às dependências internas da unidade de saúde, optaram por se distanciar da manifestação enquanto o local não era desocupado pelos populares. Apesar da postura neutra, os usuários do sistema alegaram que todos os servidores da unidade, ou, ao menos a maioria, também se queixam dos mesmos problemas e já sabiam que o ato iria ocorrer esta semana. Segundo Rosilene dos Santos Santana, moradora da comunidade, as fichas de consulta são distribuídos geralmente na última sexta-feira de cada mês.
A usuária alega que diariamente as pessoas costumam chegar na unidade a partir das 5h com a esperança de serem atendidas e medicadas por funcionários. De acordo com ela, apesar do esforço diário, muitos ficam sem o devido atendimento e são obrigados a se deslocar para outras unidades de pronto-atendimento (UPA). As queixas não param. "O pior disso tudo é que nessa fase de todo mundo com virose, chegamos aqui para ser atendidos, mas isso nunca acontece e o jeito é voltar pra casa. Nos outros postos o atendimento também não é bom. Desejamos que o prefeito Edvaldo Nogueira se preocupe com a gente e resolva essa falta de respeito com o povo mais necessitado", declarou.
Cerca de 60 manifestantes estiveram na mobilização que pediu a presença do secretário municipal de saúde, André Sotero, como única forma de suspender o ato e desobstruir a unidade. Ciente do pleito, o gestor esteve no local, buscou dialogar de forma pacífica com os pacientes e marcou reunião extraordinária com o Conselho Municipal de Saúde para discutir as estratégias para solucionar os problemas. Essa reunião ocorre hoje e contará, também, com a participação de gestores do posto Hugo Gurgel. De acordo com o secretário, apesar das dificuldades, a comunidade deve manter a calma e entender que a atual gestão encontrou a pasta precarizada.
"Sabemos das dificuldades que a maioria está enfrentando todos os dias; as críticas chegam a cada minuto na nossa secretaria e todos os diretores costumam visitar as unidades para conhecer de perto a realidade. Sabemos da dificuldade e por isso que pedimos um pouco de paciência porque infelizmente não podemos resolver todos os problemas em tão curto período de gestão. Estamos dispostos a conversar e encontrar solução, por isso estive no posto, e inclusive marquei reunião para esta quarta, mas o que não será possível é solucionar tudo assim, em pouco tempo", declarou.


