O anúncio da construção de um condomínio de luxo, no bairro Robalo, zona sul de Aracaju, causou forte reação dos moradores, principalmente de pescadores e marisqueiras.
A reação dos moradores está no fato de que com a construção do condomínio o acesso e o uso da beira do Canal Santa Maria, na visão dos moradores, seriam proibidos.
Os moradores afirmam que o local, classificado como bem público, é frequentado há muitas décadas, tanto para o sustento, quanto para o lazer e que a construtora, nova proprietária do terreno limítrofe, já está proibindo o acesso e a permanência no local, mesmo antes da existência do condomínio.
Outro motivo para a revolta dos moradores é o fato de que a construtora, nas suas peças publicitárias, anuncia a beira do rio como uma prainha privada, o que consideram ilegal, já que o rio é público.
Foi neste cenário de tensão que os moradores se reuniram na noite da última segunda (14), para deliberações em torno do assunto.
Além de moradores nativos, entre eles marisqueiras e pescadores, estiveram presentes o Fórum em Defesa da Grande Aracaju, professores e estudantes universitários, arquitetos urbanistas, advogados, as vereadoras Ângela Melo e Sônia Meire, a ex-vereadora Rosângela Santana e representantes da construtora e da empresa de consultoria à construtora.
Embora tenha sido tensa, notadamente no debate entre moradores e representantes da construtora, ao final os moradores aprovaram uma série de encaminhamentos visando manter o acesso e o uso da margem do rio, sem que a construtora possa edificar na faixa legalmente proibida, onde há previsão, por parte da construtora, de construção de um píer e uma orlinha.
Assim, nos próximos dias os moradores deverão apresentar junto ao Ministério Público Federal, notícia de fato, denunciando as possíveis ilegalidades, que ferem a Lei nº. 12.651, o Código Florestal . Além disso, decidiram também que deverão ajuizar ações para que a obra não tenha início até que o acesso que vêm usando pacificamente há décadas e a preservação das margens e do leito do curso d’água sejam garantidos.
Ainda na reunião, na noite da última segunda-feira, os representantes da construtora e da empresa de consultoria se mostraram abertos ao diálogo, sem, no entanto assumir qualquer compromisso com a população presente.
Os integrantes do Fórum em Defesa da Grande Aracaju agendaram nova reunião para a próxima terça (22), na sede da CUT Sergipe e esperam que todas as divergências sejam solucionadas, de preferência amigavelmente com os órgãos de licenciamento e com a própria construtora. Mas, dizem que lançarão mão tanto da denúncia junto aos Ministérios Públicos, quanto da ação judicial. Dizem ainda que, conforme aprovado ao final da reunião, até mesmo protestos em via pública poderão ser realizados.
Moradores querem impedir condomínio

