Morte de ex-PM em ônibus aumenta insegurança e policiais vão protestar

Gabriel Damásio

Um crime ocorrido às 20h deste sábado aumentou ainda mais a sensação de insegurança na população da Grande Aracaju. Dois assaltantes armados mataram o policial militar reformado Luciano dos Santos Menezes, 49 anos, que levou três tiros na cabeça. Foi no Loteamento Pai André, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), dentro de um ônibus da empresa Atalaia Transportes que faz a linha São Cristóvão/Osvaldo Aranha. Foi a segunda morte ocorrida durante assaltos ao transporte coletivo de Aracaju e o oitavo policial assassinado em Sergipe, apenas neste ano de 2015.

Luciano, que foi soldado da corporação, seguia de volta para sua casa, em São Cristóvão, depois de um dia de trabalho, e estava no coletivo com outros passageiros. Segundo a Polícia Militar, os dois bandidos estavam sentados no fundo do veículo e anunciaram o assalto, passando a ameaçar o cobrador e exigir que todos os passageiros lhe entregassem objetos. O relato apurado aponta que o PM reformado teria tentado dominar um dos ladrões, agarrando-o pelas costas assim que ele tentou pulado a catraca para a parte da frente. Neste momento, o primeiro comparsa teria gritado para que o outro viesse ajudá-lo. Este, por sua vez, que já estava ao lado do motorista, pulou a catraca de volta e abriu fogo contra Luciano.  
As portas foram abertas quando os tiros foram disparados, alguns passageiros correram e os dois matadores aproveitaram para escapar. Mas em seguida, ao ver que o ex-soldado estava ferido, o motorista do ônibus desviou a rota e seguiu rapidamente ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no Capucho (zona oeste da capital). A vítima chegou a ser atendida no Pronto-Socorro e internada na Ala Vermelha, mas morreu poucos minutos depois. O corpo foi liberado durante a madrugada e enterrado domingo à tarde no Cemitério de São Cristóvão. Uma passageira idosa ficou em estado de choque e também foi socorrida, mas logo liberada.

O crime no Pai André aumentou ainda mais a revolta dos PMs, ainda não recuperados da morte do sargento Valdomiro dos Passos Filho, 43. Na tarde de sexta, ele levou cinco tiros durante um assalto em frente à agência do Banese no Santos Dumont (zona norte). No velório, ocorrido na casa da vítima, familiares reclamaram da falta de apoio do Comando da PM e das entidades de defesa dos direitos humanos. "Alguns colegas comentaram assim: ‘Parece que quem tá na reserva não tem valor, não é?’. E é lamentável isso, muito triste. A gente se abraça e se conforta nos ombros dos amigos, mas ninguém esteve aqui representando o Comando", disse Moisés, um cunhado de Luciano, em entrevista à Mix FM.
No final da tarde, associações de classe da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros se reuniram com o subcomandante-geral da PM, coronel Jackson Nascimento, a quem expuseram queixas da categoria. "Nós queremos saber a postura não só do comando, mas também que o governo do Estado implemente políticas de segurança efetivas para a sociedade", disse o tenente-coronel Adriano Reis, da Associação dos Oficiais Militares de Sergipe (Assomise). Um protesto com os militares de folga chegou a ser marcado para hoje à tarde, mas foi adiado por decisão dos representantes das entidades.

O caso é investigado pela Delegacia de Repressão aos Roubos a Ônibus (DRRO), que ouvirá o depoimento do motorista e do cobrador, mas ainda não foi procurada por nenhum passageiro do ônibus onde o crime aconteceu. A empresa Atalaia informa que já entregou as imagens do circuito de TV que registraram a ocorrência, o que pode ajudar na identificação dos bandidos. A primeira morte em assaltos a ônibus foi a da auxiliar Taís da Silva dos Santos, 22, baleada no último dia 6, durante um arrastão promovido por cinco adolescentes em um ônibus que passava pela Avenida Euclides Figueiredo, no Lamarão (zona norte).

Compartilhe esta notícia