Gabriel Damásio
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Avançam as investigações sobre a queda do totem metálico da torre do Shopping Jardins, na zona sul de Aracaju, ocorrida na sexta-feira passada. Ontem, a equipe do delegado Everton Santos, da 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM), esteve no Hospital Primavera, no Jardins, e ouviu o depoimento do universitário Ítalo Ramond Rodrigues Damascena, 25 anos, o principal sobrevivente do episódio. Ele teve a perna esquerda parcialmente esmagada pela peça e ainda recupera-se de uma cirurgia para corrigir as lesões. De acordo com o hospital, ele ainda não tem previsão de alta, mas seu estado de saúde é considerado estável.
Damascena relatou ao delegado tudo o que aconteceu naquela tarde, quando ele e um grupo de amigos se reuniram no canteiro junto à torre do shopping, para discutir a realização de um campeonato amador de esportes aquáticos. Segundo o relato, ele estava sentado quando percebeu que a estrutura metálica estava se aproximando rapidamente do solo, chegando a quicar com o primeiro impacto. Os frequentadores que estavam de pé conseguiram correr, mas Ítalo não conseguiu escapar a tempo e teve a perna atingida. A peça também atingiu a vendedora Cláudia Ticianny Freire dos Santos, 21 anos, que estava em seu intervalo de trabalho e morreu a caminho do hospital.
O delegado responsável pelo caso já ouviu mais dois depoimentos de sobreviventes que estavam com Ítalo no canteiro e não foram atingidos. Os funcionários e gestores responsáveis pelo Jardins ainda serão chamados para depor. Em paralelo a isso, a Polícia Civil vai buscar acesso aos laudos de vistorias preventivas realizadas de cinco em cinco anos no shopping pela Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emurb). Everton quer saber como estas vistorias aconteceram e porque se deixaram formar as marcas de ferrugem encontradas na solda que segurava o totem no topo da torre. Estas marcas, apontadas como causas da corrosão da peça, já foram constatadas em exames iniciais do Instituto de Criminalística e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (Crea/SE). Alguns dos peritos também já prestaram depoimento.
Os laudos técnicos devem ficar prontos em até 20 dias. O delegado também espera pelo envio dos relatórios médicos do Primavera sobre as lesões causadas em Ítalo e do exame cadavérico que o Instituto Médico Legal (IML) fez no corpo de Cláudia. A princípio, a queda da estrutura está sendo tratada como acidente, mas não se descarta a possibilidade de ter havido negligência na manutenção da estrutura ou até homicídio culposo (sem intenção de matar). O Crea também realiza uma investigação técnica sobre o caso e deve também apresentar suas conclusões à 1ª DM.
Esta não é a primeira investigação policial envolvendo incidentes graves ocorridos dentro do Shopping Jardins. Em 11 de fevereiro de 2012, o desempregado Leidson Reis dos Santos morreu depois de ser agredido e dominado por seguranças do estabelecimento. Um deles, Carlos Alberto Santos, foi acusado de ter enforcado a vítima com um ‘mata-leão’, quebrando-lhe o pescoço. No mesmo ano, em 12 de outubro, o também segurança Diogo Santos Carvalho teria estuprado uma adolescente de 14 anos e forçado o namorado dela, de 16 anos, a fazer sexo com a vítima, dentro de uma sala da segurança da empresa. os dois funcionários chegaram a ser presos e processados, mas não se conhecem os resultados destes dois casos, porque eles tramitaram em segredo de justiça.


