A Polícia Civil e o Instituto de Criminalistica divulgaram ontem, em coletiva de imprensa, o resultado do inquérito policial que investigou as causas do acidente de trânsito que provocou a morte da cantora Elisa Clívia Angelino, ex-vocalista da banda Cavaleiros do Forró, e de seu esposo, o baterista Sérgio Ramos da Silva. O acidente aconteceu em junho deste ano na esquina das ruas Maruim e Arauá, centro da capital, onde o carro com a cantora e sua equipe foi atingido por um ônibus do transporte coletivo. Outras três pessoas da equipe ficaram feridas.
No inquérito, a Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT) decidiu indiciar o motorista Clebton José dos Anjos, que dirigia o Fiat Pálio com as vítimas e ainda se recupera dos ferimentos graves que sofreu. Ele será responsabilizado pelos crimes de homicídio culposo de trânsito e lesão corporal culposa de trânsito. De acordo com a delegada Daniela Lima Barreto, da DEDT, toda a responsabilidade pelo acidente foi de Clebton, pois ele desrespeitou a sinalização de trânsito da esquina e avançou a via preferencial da Rua Arauá.
A delegada explicou que a conclusão do inquérito se baseou principalmente nos laudos periciais desenvolvidos no local do acidente e fora dele, pelos peritos da Criminalística. "Na verdade, nós trabalhamos com a coleta das imagens do acidente e também com o trabalho da nossa perícia técnica realizando o laudo de local de acidente e o laudo de estimativa de velocidade entre outros laudos que existiram nessa investigação. A perícia técnica concluiu que a causa determinante do acidente foi a entrada inopinada do veículo Pálio da via e concluiu também que a velocidade do ônibus estava em desconformidade com a via; mas ainda que o ônibus estivesse na velocidade adequada o acidente aconteceria. Por isso, a gente fez o indiciamento do motorista do veículo de passeio", afirmou Daniela.
Ainda segundo a delegada, um fator decisivo no acidente foi a não obediência à sinalização de trânsito presente no cruzamento. "No local existia sinalização tanto horizontal quanto vertical de Pare. Ele não obedeceu essa sinalização e sobretudo não obedeceu a prioridade das vias quando ele deveria aguardar o fluxo da via que tinha prioridade para fazer a travessia em segurança. Essa foi a falta do dever de cuidado que acometeu o senhor Clebton, em razão disso ele é o responsável pelo acidente, mas os peritos fizeram o registro de que a forma de fixação não era a mais adequada, mas a sinalização estava presente", completou.
Nos quatro exames realizados pela Criminalística, tanto no local do episódio quanto nos veículos envolvidos, foram observados o disco diagrama, o cronotacógrafo, e exame pericial para estimar as velocidades dos veículos e estudar o efeito da velocidade. No dia da colisão dos veículos, iniciou-se a investigação pericial com o exame de local do fato, onde buscou registrar, catalogar, perpetuar e analisar os vestígios existentes, com objetivo de definir a causa do acidente, a dinâmica do acidente e autoria delitiva, sob a ótica científica.
Como resultado, não foi encontrado nenhum defeito no tacógrafo. Quanto ao disco diagrama, havia algumas inconformidades dos dados registrados, o que obrigou os peritos a estimarem por outros meios as velocidades dos veículos. O laudo estima que a velocidade do ônibus variou entre 48km/h a 62km/h, enquanto a do automóvel estava a 22km/h no momento da invasão da preferencial, com base nas imagens dos vídeos gravados no dia do fato. Daniela esclareceu aos jornalistas que, mesmo estando o ônibus em velocidade maior que a do carro, o acidente aconteceria da mesma maneira, por causa da invasão da via preferencial pelo Pálio.
O inquérito já foi entregue à análise do Ministério Público, que pode pedir novas diligências, mandar arquivar o caso ou oferecer denúncia contra o indiciado. (com SSP)


