Gabriel Damásio
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Aumenta a tensão entre passageiros e funcionários do transporte coletivo na Grande Aracaju, cada vez mais acuados pela escalada dos assaltos a ônibus. O caso mais grave do ano aconteceu no começo da noite desta quarta-feira, dentro de um veículo da Auto Viação Paraíso que fazia a linha Eduardo Gomes/Desembargador Maynard. Dois criminosos embarcaram como passageiros no Terminal do Campus da UFS, no Rosa Elze (São Cristóvão) e anunciaram o assalto na Avenida Marechal Rondon, próximo à ponte sobre o Rio Poxim.
Um dos ladrões atacou o motorista Cícero Lima, que conduzia o ônibus e foi ferido com duas facadas, sendo uma na perna direita e outra no abdômen. Os bandidos fugiram por uma área de matagal, levando cerca de R$ 110 em dinheiro, equivalentes à renda do dia, telefones celulares e pertences de passageiros. Os passageiros e o cobrador socorreram Cícero e ajudaram-no a levar o ônibus até a garagem da empresa, onde houve o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O motorista foi internado na Ala Verde e, apesar dos ferimentos, ele não corre risco de morte e seu estado de saúde é considerado estável.
O caso não foi registrado de imediato na Polícia Militar e nem na Delegacia Plantonista, mas deve ser investigado pela Delegacia de Repressão a Roubos a Ônibus (DRRO). Algumas fotos atribuídas ao circuito interno de TV do ônibus mostraram um dos suspeitos do crime, obrigando o cobrador a entregar o dinheiro da renda. Algumas testemunhas relataram que a vítima teria tentado uma reação contra a dupla, mas outras asseguram que o autor da agressão estaria muito nervoso e sob efeito de drogas.
O ataque ao motorista da Paraíso aumentou a conta dos assaltos a ônibus na capital sergipana. Conforme os dados do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra), eles já somam 844 neste ano, sendo 29 apenas na primeira semana de junho. O total já superou as 531 ocorrências registradas no mesmo período de 2015, entre janeiro e junho, e equivale a mais de 60% das 1.201 ocorrências do tipo registradas em todo o ano passado, as quais incluem duas mortes de passageiros que acabaram baleados pelos criminosos.
"A situação é lamentável. A gente já procurou o secretário da Segurança Pública para termos uma reunião com a diretoria. A nossa preocupação vai aumentar mais, porque vem chegando aí as festas juninas, quando terminam os forrós e os ônibus se deslocam para os bairros. Nessa hora, têm acontecido vários assaltos e vários arrastões. Segurança em volta das festas tem, mas o problema está na ida aos bairros", alerta o vice-presidente do Sinttra, Francisco de Assis, ressaltando que as polícias Militar e Civil vêm fazendo a sua parte nas abordagens e investigações dos assaltos, "mas precisa-se de uma ação mais enérgica". A reunião do Sinttra com a cúpula da SSP já estava prestes a ser marcada antes do crime ocorrido no Rosa Elze.
Para o sindicalista, as empresas de ônibus também estão colaborando com a polícia, ao repassar, no dia seguinte aos crimes, as imagens dos circuitos internos dos veículos assaltados. No entanto, dois problemas são apontados como causas do aumento dos assaltos, o envolvimento de adolescentes, principalmente usuários de drogas, e o comportamento do Poder Judiciário em relação aos criminosos que atuam nos roubos. "O Judiciário tem que ter uma participação mais rigorosa, que deixe o meliante por mais tempo [na cadeia]. Porque a polícia pega o meliante e, em menos de 48 horas, ele tá na rua e volta a roubar, porque tem no ônibus o dinheiro fácil. Até os 40 ou 50 reais em moedas de estão levando, quando não as bolsas e celulares dos passageiros", queixa-se Assis.


