Passa de 70 o número de casos de microcefalia em Sergipe. Diante disso, o Ministério Público Estadual (MPE), por meio da Promotoria de Direitos à Saúde, pede que a Secretaria de Estado da Saúde decrete estado de emergência para que se possa contratar agentes da Brigada contra o Aedes Aegipty de forma imediata e sem a necessidade de concurso público. A medida, conforme destacado pelo promotor de justiça Antônio Fortes, tende a ampliar as ações a fim de evitar uma epidemia da microcefalia. Para se ter noção do atual cenário da doença enfrentado pelos sergipanos, apenas na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, até a manhã de ontem já haviam sido registrados 42 casos.
Na manhã da última sexta-feira, 20, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, esteve em Aracaju e foi pressionado por gestores públicos e juristas que pediam a intervenção do Governo Federal a favor dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante o encontro foram solicitadas ações emergenciais semelhantes às realizadas no Estado de Pernambuco, onde o número de microcefalia já passa dos 450. Caso não haja desaceleração dos casos locais, a perspectiva é que Sergipe conclua o ano de 2015 com mais de 100 casos da doença. Na manhã de ontem, em entrevista concedida em rede nacional, o ministro garantiu que irá atender ao pedido de atuação redobrada em todos os estados nordestinos.
"Estamos estudando o crescente índice da doença no país, e em especial na região Nordeste onde estive pessoalmente visitando algumas cidades e recebendo o pedido de apoio emergencial por parte do Ministério da Saúde. Quero reafirmar o compromisso do Governo Federal com a saúde do povo brasileiro e que estamos dispostos a combater, junto com a sociedade, essa doença que tanto assusta a população", declarou. Indícios mostram que o mosquito transmissor de doenças como dengue, chikungunha e zica pode ser o principal causador do aumento nos casos de microcefalia. Dos registros confirmados, cerca de 75% das crianças nasceram em unidades públicas de saúde.
A microcefalia apresenta diagnóstico de anomalia, ou seja, malformação ainda no período de gestação que compromete o desenvolvimento adequado do cérebro do bebê. Ao contrário do que foi debatido ao longo dos últimos 15 dias, o MS garante que não se trata de uma ‘doença’ nova na população brasileira. Em geral, a malformação congênita está associada a uma série de fatores de diferentes origens, como por exemplo, no uso indevido de substâncias químicas durante a gravidez, como drogas, contaminação por radiação e infecção por agentes biológicos, como bactérias e vírus. Os estudos sobre a possibilidade de contaminação pelo Aedes Aegypti encontram-se em fase intermediária.
De acordo com o promotor Fábio Viegas, paralelo ao trabalho dos órgãos públicos de saúde, é preciso que a população sergipana também abrace a causa e ajude a combater o Aedes Aegipty. "Todos os brasileiro estão preocupados com o aumento dessa doença e nós sergipanos temos que fazer a nossa parte e ajudar no combate. O Ministério Público já dialogou com o ministro que nos prometeu interceder de forma positiva já em curto prazo. A Prefeitura de Aracaju já decretou estado de emergência e deve contratar novos agentes de endemias; agora basta o Governo de Sergipe, o qual já pedimos, também decretar o estado de emergência", afirmou. Um novo levantamento da microcefalia em Sergipe deve ser apresentado até a próxima sexta-feira, 27.

