Mudança de conta gera reclamação entre servidores da PMA

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

A venda da folha de pagamento do Banco do Esatdo de Sergipe (Banese) para a Caixa Econômica Federal continua gerando reclamações entre os servidores da administração municipal de Aracaju.
Segundo informações da dreção do Sindicato dos Servidores do Município de Aracaju (Sepuma), uma das principais queixas dos servidores é a falta de transparência com a qual foi realizada a transação comercial da conta por parte da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA).

Na avaliação da direção do Sepuma, a mudança exige mais esclarecimentos junto aos servidores. "Não recebemos sequer o contrato sobre a transação comercial. O contrato deve ser precedido do processo de transação da conta. Nem assessores da PMA conhecem estes documentos. Por esta razão, acreditamos que há indícios de ilegalidade. Os sindicatos querem avaliar juridicamente esta medida", observa Getúlio Gomes Nunes, assessor do Sepuma. "Os donos das contas são os servidores, mas eles nem sequer foram ouvidos pela PMA sobre a decisão", reclama o sindicalista.

Getúlio esclarece que o sindicato é favorável a mudança do pagamento da folha, mas é preciso haver transparência sobre o processo gerador do contrato. Ele relatou que desde o dia 1º de agosto a direção do sindicato vem buscando informações sem êxito.

Além de problemas operacionais, o sindicalista aponta outros impactos negativos da medida como a falta de estrutura para a mudança e a sobrecarga de trabalho dos bancários da CEF. "A Caixa vai ser obrigada a receber 11 mil usuários sem nenhuma mudança estrutural e aumento de pessoal para dar conta desta demanda gigantesca, fato que irá impactar no atendimento ofertado para toda a população e nas relações de trabalho nas agências", menciona.

Ainda de acordo com o representante do Sepuma, outro problema é a demora para a abertura de conta. "Estamos recebendo relatos de muitos servidores que fizeram o agendamento de 15 minutos com o banco, mas somente são atendidos com mais de duas horas", reclama.
De acordo com ele, a direção do Sepuma propôs à direção da CEF que colocasse um representante da instituição financeira para ficar à disposição dos aposentados que necessitam de atendimento diferenciado em relação às mudanças operacionais geradas com a medida de transferência das contas bancárias.
Getúlio explicou ainda que muitos servidores ainda não sabem como vão quitar as dívidas junto ao Banese, que antes eram cobradas pelo sistema consignado, direto da conta. Segundo valores apontados pelo sindicalista, as dívidas dos trabalhadores com o Banese chegam a um total de R$ 45 milhões.  

Outro ponto apontado por ele referente à migração da conta é em relação a prejuízos que devem ser assumidos pelos servidores, que não mais contarão com o sistema de pagamento direto da conta para financiamento do IPVA e aquisição de imóveis.
"A CEF financia somente 90% do imóvel e o Banese prometeu ano passado que cobriria 100% de construções habitacionais", diz Getúlio.
Outra reclamação é que haja mudança no calendário de pagamento dos salários, que deverá ser pago somente no quinto dia útil de cada mês.

A medida também está mobilizando os servidores municipais de outros setores, a exemplo da área de Educação. Na manhã de ontem representantes de uma comissão de trabalhadores ligados ao Sindicato dos Profissionais de Ensino do Município de Aracaju (Sindipema) foi recebida em uma reunião que contou com a presença de técnicos do Banese e da CEF, para discutir os encaminhamentos sobre a folha de pagamento do mês de agosto, e sobre a portabilidade das contas individuais dos servidores.
Durante à tarde de ontem, representações do Sindipema, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe (SEEB) estiveram reunidos para discutir encaminhamentos sobre o assunto. A reunião foi realizada na sede da SEEB.

Na tarde da última quarta-feira, dia 6, a direção do Sindipema esteve na Secretaria Municipal da Administração (Semad), com o intuito de obter mais informações sobre a venda da folha de pagamento da PMA. O secretário da Semad, Igor Leonardo Moraes Albuquerque, estava em reunião com outros membros do governo municipal e não recebeu a comissão, que foi ouvida somente ontem.
De acordo com a PMA a mudança foi adotada para aumentar os recursos municipais disponíveis para serem revertidos em melhorias para a cidade. 

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