Mudanças no lixo podem afetar empregos de garis

Gabriel Damásio

 

A entrada em vigor dos novos contratos emergenciais de coleta de lixo e limpeza urbana em Aracaju, a partir da 0h desta segunda-feira, já provoca uma série de mudanças no mercado de trabalho para os garis e margaridas. Existe a expectativa de que pelo menos 700 agentes de limpeza sejam demitidos pela empresa Cavo Saneamento, cujo contrato atual com a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) será encerrado. Esta possibilidade existe porque a Cavo desistiu de concorrer aos serviços de varrição de ruas, capinação, roçagem, pinturas de meios-fios e limpeza geral. Toda essa parte será assumida a partir de agora pela Torre Empreendimentos, que já admite contratar até 70% do atual efetivo de sua maior inimiga.

As duas empresas já assinaram o contrato emergencial de 180 dias e receberam neste sábado as ordens de serviço da PMA, autorizando o início dos trabalhos. Ao todo, serão pagos mais de R$ 42 milhões pela limpeza da cidade, sendo R$ 28,1 milhões à Torre e outros R$ 13,9 milhões para a Cavo, que vai continuar com a coleta e transporte de lixo domiciliar (Lote 1), feita com caminhões compactadores.

A preocupação quanto aos empregos foi exposta pelo vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindilimp), Anderson Vidal, na própria coletiva de imprensa que anunciou o resultado do edital emergencial, na sede da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Ele pediu uma reunião com dirigentes das duas empresas, para garantir que os dispensados de uma empresa sejam imediatamente absorvidos pela outra. Para o sindicalista, criou-se uma situação de insegurança para os funcionários do setor, definida por ele como “um filme de terror” protagonizado pelo medo do desemprego. 

“Naturalmente, a Cavo perdeu o contrato da varrição e dos três lotes. Aí, vão ficar como? Vai ficar todo mundo desempregado, de aviso prévio. Tem cadastro, mas cadastro não envolve, porque tem uns 700 trabalhadores que vão perder o emprego na varrição e já estão prontos pra fazer o serviço. Se a empresa Cavo não tem mais contrato, acredito que não tem lógica de ela querer segurar os trabalhadores. E tenho certeza que a Torre ou outra empresa que ganhasse gostaria de ter a mão de obra pronta, não vai querer um banco de trabalhadores que ainda vão prender”, disse Anderson a jornalistas, antes de se reunir com a presidência da Emsurb. O órgão diz que não tem qualquer interferência na questão da contratação da mão de obra, pois isto é responsabilidade de cada empresa contratada.

Da parte da Torre, já foi dada a garantia de que haverá contratações, principalmente na área de varrição. O gerente de negócios da empresa baiana, José Carlos Dias da Silva, afirmou que ela precisará de 620 agentes de limpeza para cumprir o Lote 4 (limpeza geral), 100 para a o Lote 3 (varrição de ruas e limpeza das praias) e outros 64 para o Lote 2 (coleta de entulhos). “Estamos com a logística e temos um cadastro [de empregados] já feito, porque nós iniciamos os serviços [de rua] em 6 e 7 de março. Então, o cadastro está pronto, nós já tínhamos os fardamentos, nós temos ferramentas, e estamos preparados para começar. Não acho que a Cavo vá criar alguma dificuldade para que essa mão de obra seja absorvida e a Torre tem todo o interesse em contratar esses profissionais”, disse o gerente.

A Cavo, por meio da assessoria, disse apenas esperar que os funcionários das áreas a serem desativadas sejam absorvidos pela rival. Ela chegou a ter cerca de 1 mil funcionários em Aracaju, sendo boa parte deles dispensados pela Torre em 2016, quando a empresa do grupo paulista Estre firmou contrato com a PMA. No entanto, as constantes greves e paralisações causadas por denúncias de assédio moral e falta de condições de trabalho resultaram em cerca de 500 demissões, pelas contas do Sindilimp, levando o caso ao Ministério Público do Trabalho. Por outro lado, a Cavo alega que as greves foram manipuladas, acusação que aparece nas investigações da ‘Operação Babel’, da Polícia Civil, e já resultou no indiciamento criminal dos donos da Torre e de dois dirigentes do sindicato. 

Compartilhe esta notícia