Mulher com doença crônica morreu após ser espancada pelo companheiro

Gabriel Damásio

 

Um crime ocorrido nesta sexta-feira chocou a população de Nossa Senhora da Glória (Alto Sertão). Kamila Rocha Melo, 20 anos, que era portadora de uma doença crônica do fígado, morreu depois de ter sido violentamente espancada dentro da própria casa, após uma suposta briga conjugal. Kamila deu entrada no Hospital Regional João Alves Filho com várias fraturas pelo corpo e faleceu por volta das 6h30 de sábado. O marido da jovem, Douglas Aragão Oliveira, 21, foi preso na manhã seguinte e é considerado pela Polícia Civil como o principal suspeito do crime. O caso foi enquadrado como crime de feminicídio (quando a vítima é morta por sua condição de ser mulher).

A descoberta sobre as agressões chocou os familiares da vítima, que socorreram Kamila na tarde da sexta-feira, após serem avisados que ela sentiu-se mal. Todos acreditavam, a princípio, que ela teria sofrido alguma complicação causada por sua doença, a Síndrome de Budd-Chiari, que é o inchaço do fígado causado por coágulos que impedem a circulação do sangue no órgão. No entanto, policiais da Delegacia Regional de Glória procuraram a família de Kamila após receber denúncias anônimas – confirmadas em diligências que se seguiram – de que ela teria sido espancada na mesma tarde em que foi socorrida.

Segundo o delegado regional Jorge Eduardo dos Santos, o corpo ainda estava em velório quando foi recolhido e enviado ao Instituto Médico-Legal (IML), em Aracaju. “Conversamos com a família, ela assentiu que trouxéssemos o corpo ao IML, e ali foi feita uma perícia bastante minuciosa. Se constatou que houve fraturas na costela, no nariz e na cervical, além de várias manchas roxas e lesões internas pelo corpo. Isso foi decorrente do espancamento que ela sofreu na sexta-feira à tarde”, confirmou o delegado, acrescentando que o exame permitiu a coleta de outros vestígios e informações, as quais apontaram Douglas como o principal suspeito. 

Ao longo da noite de sábado e da madrugada de domingo, o delegado e sua equipe pediram a prisão temporária do marido, concedida pelo juízo criminal da Comarca de Nossa Senhora da Glória. Ele foi encontrado em casa, às 7h, e, segundo Eduardo, vinha se comportando de maneira fria. “Ele foi ao velório [de Kamila], participou, inclusive emitiu mensagens nas redes sociais, e depois de algum tempo, desconfiando de que poderia ser descoberto, ele saiu do velório e não apareceu. Tentou fugir, reagiu à prisão e a equipe da delegacia teve que ser bastante contundente para conseguir efetuar a prisão, disse o delegado.  

Um inquérito foi instaurado pela Regional para apurar os motivos das agressões que causaram a morte da jovem. A polícia informa que Douglas será indiciado pelo crime de feminicídio e ficará detido por 30 dias, mas pode ter a prisão preventiva decretada pelo Judiciário, a depender das conclusões da investigação.

 

Outro crime – Este não foi o primeiro caso de violência doméstica grave registrado em Glória, com a prisão de seu respectivo autor. Na tarde de sexta-feira, enquanto o caso de Kamila era investigado, agentes da Delegacia Regional prenderam André Santos Oliveira, o “André Bolachão”, acusado de espancar e desfigurar o rosto de sua ex-companheira, Roberta Caroline Farias da Silva, 20 anos. O crime aconteceu no último dia 1º de março, quando a vítima foi atacada pelo acusado e ferida com pedradas e golpes de capacete. Com varias fraturas, ela foi internada em estado grave no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, e recebeu alta na última semana, após passar por um longo e duro tratamento.

Segundo a polícia, André teve a prisão preventiva decretada pelo Judiciário e ficou foragido por quatro meses, tendo sido encontrado na casa do pai, em Glória. Ele foi autuado pelo crime de tentativa de feminicídio. A operação que resultou em sua prisão teve a participação de militares da Companhia Independente de Operações em Caatinga (Ciopac) e equipes da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol).

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