Gabriel Damásio
O eletricista Elias Aparecido Santos Leandro, 55 anos, encontrado morto na manhã do Sábado de Carnaval em um acostamento da rodovia SE-305, no Alto da Divinéia, em São Cristóvão (Grande Aracaju), foi assassinado pela própria companheira, a dona de casa Ana Patrícia dos Santos, 35. A conclusão do caso foi apresentada ontem de manhã pela delegada Rosana Freitas, do Departamento de Homicídios da Polícia Civil (DHPP), que confirmou a prisão da suspeita e seu indiciamento por homicídio qualificado. Inicialmente, Patrícia negou ter matado ao marido, mas, ao ser confrontada com algumas pistas levantadas pela polícia, confessou o crime e alegou ter agido em legítima defesa.
O corpo de Elias foi achado com golpes de facão no rosto e no pescoço, em um local deserto e bem afastado da casa onde morava com a mulher. A vitima quase foi decapitada por conta da violência de um dos golpes. Os depoimentos prestados ao DHPP durante a quinta-feira passada, depois do Carnaval, ajudaram a desmontar a versão inicial de Ana Patrícia, a qual dizia que o eletricista saiu de casa para beber às 22h de sexta e só foi encontrado no início da manhã de sábado, quando a esposa fazia uma caminhada.
"Na mesma quinta-feira, os policiais da equipe de captura, que fizeram um excelente trabalho, conseguiram informações de que a briga do casal teria acontecido às 23h, ou seja, ninguém teria saído de casa, e a esposa teria sido vista acordada na rua, durante a madrugada, o que contradiz a informação de que ela teria passado a noite dormindo. Provavelmente, foi neste horário que ela cometeu o crime. Ela foi confrontada com estas informações, não ofereceu resistência e acabou confessando o crime", afirmou Rosana.
Outra suspeita foi apontada pelo irmão de Elias, Valter Leandro. Ele disse à polícia que, duas horas depois do crime, foi procurado por Ana Patrícia, a qual questionava o paradeiro do esposo, e estranhou o fato, pois seu irmão não costumava dormir em sua casa. Ao ser avisado mais tarde pela própria cunhada de que o eletricista foi achado morto, Valter desconfiou ao ver o corpo sem marcas de sangue e com o cabelo molhado, apesar dos cortes de facão.
As suspeitas contra a dona de casa aumentaram com a informação de que a residência do casal teria sido lavada no dia do crime. A perícia do Instituto de Criminalística, no entanto, apontou que a vítima foi morta no próprio acostamento, pois o sangue foi absorvido pela terra do local onde o corpo foi achado de bruços, conforme a confissão da companheira. O paradeiro do facão usado no crime foi indicado pela própria Ana Patrícia: ele foi jogado em uma poça de esgoto no Alto da Divinéia, perto do local do crime. Resgatada por um morador, a arma foi apreendida e será apresentada como prova do homicídio.
A própria acusada disse ontem que Elias discutiu com ela na noite do crime, após ter chegado em casa embriagado, e chegou a dar-lhe um tapa no rosto. "O casal teria brigado e ela saiu de casa com a finalidade de dormir na casa da sua mãe, sendo que ele teria seguido a esposa armado com um facão. E durante o conflito, ela teria tomado o facão dele e desferiu três golpes: um golpe no rosto, que o levou a cair de bruços, e dois no pescoço", descreve a delegada. Ainda segundo Patrícia, a arma era amolada pelo companheiro e, no confronto, ela não imaginou que os golpes seriam suficientes para matar a vítima. "Se arrependimento matasse, eu já estaria morta. E até pensei em me enforcar por causa disso", afirmou ela, ao ser apresentada à imprensa.
Sobre a motivação, a delegada confirmou que o relacionamento da dona de casa com o eletricista durou cerca de 10 anos e estava em crise. "Não era um relacionamento muito saudável. Segundo testemunhas, a suspeita tinha casos extraconjugais e ela foi apontada logo de início pelos familiares como uma das suspeitas de ter praticado o crime", disse Rosana, que, apesar desse fato, não acredita totalmente na informação de que Elias agredia a acusada. "Os depoimentos das testemunhas contradizem essa versão, porque elas afirmam que Elias sempre foi muito pacífico, nem tinha histórico de violência contra a companheira", apontou.
O inquérito deverá ser concluído até amanhã, mas a polícia ainda tenta descobrir se a dona de casa teve a ajuda de alguma pessoa para matar o eletricista. Ana Patrícia permanece presa em uma delegacia e deve aguardar julgamento em um presídio feminino. Os três filhos dela, incluindo uma menina de sete anos que teve com Elias, estão aos cuidados da avó materna.


