Cândida Oliveira
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São diversas as desigualdades existentes na sociedade brasileira. Uma das mais evidentes é em relação ao gênero – homens x mulheres. Mas graças ao avanço e crescimento do país, nas últimas décadas do século XX, ocorreram diversas transformações, o que tem proporcionado a inserção das mulheres no mercado de trabalho.
Porém, a jornada até conseguir a igualdade em relação aos homens ainda parece ser um longo caminho a ser desbravado. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a mulher é maioria entre a população sergipana, com cerca de 932 mil. E mesmo sendo um número expressivo, grande parte desse quantitativo tem rendimento menor que o homem.
O economista Luiz Moura mostra que 168 mil, das 932 mil mulheres, recebem apenas meio salário mínimo. De meio salário mínimo a 1 salário são 216 mil mulheres. Aproximadamente 400 mil mulheres têm rendimento de 1 salário mínimo. De 1 a 2 salários mínimos são 131 mil mulheres. De 10 a 20 salários mínimos são 17 mil pessoas, sendo que 11 mil são homens e 6 mil são mulheres. Recebem mais de 20 salários mínimos 6 mil sergipanos, do montante 4 mil são homens e dois mil são mulheres.
Os números comprovam que o sexo ‘frágil’ tem os menores salários, em relação aos homens. Em média, as mulheres ganham 20% menos que os homens, mesmo muitas vezes ocupando os mesmos cargos que eles. O Dieese indica ainda que as mulheres também ocupam poucos cargos de chefia. "Esse não é um problema exclusivamente sergipano, é mundial, pois o mercado de trabalho discrimina por sexo e cor da pele", explica o economista do Dieese, Luiz Moura.
Ele destaca que está acontecendo uma tendência na diminuição de salários entre os sexos, principalmente quando o grau de escolaridade do país é menor. "À medida que o país se desenvolve, a mulher consegue maior remuneração".
A mulher sergipana está predominantemente no serviço público. "Esse fato se dá porque nessa área a mulher alcança postos maiores por mérito", diz Moura.
Outro fator importante é que o sexo feminino entra mais tarde que o homem no mercado de trabalho, porém, geralmente com mais tempo de estudo. Com mais de 15 anos de estudo há 62 mil sergipanos, sendo que 25 mil são homens e 37 mil mulheres. "Mesmo a mulher possuindo mais escolaridade, no grupo que recebe mais de 20 salários mínimos, a predominância é masculina", ressalta o economista.
Outros dados – O acesso ao emprego ainda é menor que o do homem. 953 mil pessoas em Sergipe estão ocupadas, 576 mil são homens e 377 são mulheres.
No quesito cor da pele, as mulheres declaradas negras também têm menor ocupação que as mulheres brancas ou pardas. Das 235 mil pessoas ocupadas brancas, 141 mil são homens e 94 mil mulheres. Dos 87 mil pretos, 61 mil são homens e 26 mil são mulheres, e dos 629 mil pardos ocupados, 373 mil são homens e 256 são mulheres.
Novidades – A boa notícia é que a desigualdade salarial está diminuindo e já existe uma melhor distribuição de tarefas domésticas entre as mulheres e seus companheiros ou mulheres e seus filhos, além do aumento da escolaridade feminina. "A mulher está ocupando seu lugar no mercado de trabalho e tem conseguido ocupar espaços que eram de predominância masculina, como os setores de transporte, da construção civil e da metalurgia. Esses fatores fortalecem a luta pela igualdade de direitos", observa Luiz Moura.
Maria Raimunda dos Santos há dois meses começou a atuar no setor da construção civil, ela é cadista, ou seja, executa os projetos criados no programa autocad. Atualmente trabalha em uma obra de construção de um condomínio, na Barra dos Coqueiros. Ela conta que quando iniciou percebeu resistência dos homens com quem iria trabalhar. "Eles não aceitavam a presença feminina", relembra.
Mas agora a realidade é outra. "Quando perceberam que eu não estava no cargo por beleza, mas sim porque estou preparada para assumir o compromisso, começaram a mudar de postura. Hoje eles já estão acostumados a minha presença e a de mais duas mulheres que chegaram depois de mim".
Ela diz que não se sente constrangida em ter que trabalhar com muitos homens. "Independente do sexo que terei que trabalhar, estou preparada para desenvolver bem meu serviço".

