Mulher suspeita de chefiar quadrilha é solta após a audiência de custódia

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A libertação de uma mulher investigada por furtos e arrombamentos na região da Orla de Atalaia (zona sul) vem sendo alvo de críticas da polícia e de pessoas que alegam ter sido vítimas dela. A acusada, que tem 18 anos, tinha sido presa em casa na tarde desta quinta-feira, após uma investigação de policiais da Delegacia Especial de Turismo (Detur) e da Delegacia de Itaporanga D’Ajuda (Sul). No entanto, ela foi solta na tarde do dia seguinte, após passar por uma audiência de custódia no Fórum Gumercindo Bessa. A decisão foi tomada pelo juiz plantonista Marcel de Castro Britto, que confirmou a prisão em flagrante da acusada, mas permitiu que ela respondesse ao processo em liberdade.
De acordo com o delegado José Luiz Accioly, que participou da investigação, a jovem foi flagrada com vários objetos que teriam sido retirados de carros que foram abertos por alguns comparsas ligados a ela, como roupas, telefones celulares, cartões bancários, uma quantia em dinheiro e uma pistola calibre 380, que pertence a um militar do Exército. O delegado explica que boa parte desses objetos era retirada depois que o grupo conseguia abrir as travas de veículos estacionados ao longo das praias da Atalaia e da Aruana, entre outras.
"As vítimas fechavam os veículos, mas essa quadrilha usava um mecanismo que bloqueia a trava do veículo. E a partir daí, depois que o proprietário saía de perto do carro, achando que ele estivesse travado, não tinha nenhum obstáculo. Eles entravam no veículo, subtraíram os pertences que estivessem mais fáceis e fugiam", explicou Accioly. O mecanismo citado é o bloqueador de sinais, apreendido no Brasil pela primeira vez há dois anos, em Porto Alegre (RS). Fabricado na China e vendido clandestinamente, ele se parece com as travas eletrônicas dos carros de passeio e é conhecido em algumas regiões como ‘chapolin’ ou ‘chupa-cabra’.
A Detur já registrou dezenas de queixas de furtos de objetos com o uso do equipamento – e que podem ter sido praticados pela quadrilha investigada. Um eles aconteceu na região do ‘Banho Doce’, na Aruana. Duas senhoras estacionaram o carro perto de um restaurante e acabou tendo a bolsa roubada, com documentos, cerca de R$ 2.400 em dinheiro e um cartão de débito que teria ficado com a suspeita. "Essa menina conseguiu acesso às contas bancárias das vítimas e subtraiu dinheiro, mediante um estelionato contra a instituição. Foram R$ 6.500 de uma das vítimas e mais R$ 6 mil de outra, além do valor que estava no veículo", disse o delegado.
A polícia confirma ainda que, desse total, R$ 1.500 foram sacados em um caixa eletrônico e outros R$ 4 mil foram repassados para as contas bancárias de outros suspeitos. Estas movimentações bancárias foram rastreadas pelos policiais, que prenderam a jovem em flagrante e recuperaram parte dos objetos. Outras pessoas são investigadas como participantes da quadrilha. Accioly confirmou que uma segunda pessoa suspeita chegou a ser presa, mas sua identidade e paradeiro são mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações.

Decepção – A libertação da acusada na audiência de custódia – uma regra do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na qual o preso tem 24 horas para ser apresentado a um juiz, um promotor e um advogado para decidirem se ele continua preso ou não – ganhou muita repercussão nas redes sociais e entre grupos de policiais nos aplicativos. Na decisão, Marcel Britto confirmou a prisão em flagrante da suspeita, pelos crimes de estelionato, receptação e porte ilegal de arma. No entanto, concedeu-lhe a liberdade provisória, com o argumento de que ela não possui outros processos em andamento.
O juiz plantonista aplicou três medidas previstas pela ‘Lei das Cautelares’: comparecimento periódico em juízo para informar e justificar as suas atividades, proibição de ausentar-se do Estado por mais de oito dias sem autorização judicial e recolhimento em casa durante as noites e nos dias de folga. O processo contra ela tramitará na 2ª Vara Criminal de Aracaju.
José Luiz Accioly classificou o resultado da audiência de custódia como "frustrante". "Isso dá uma sensação de insegurança e impunidade, não só pra nós, policiais, mas principalmente pras senhoras que tiveram seus bens subtraídos, passaram pelo constrangimento e pela dor naquele momento, e pelas futuras vítimas que poderão ser alvos dela. Porque ela não vai parar de agir", declarou o delegado. Ele informou que as investigações continuarão a cargo da Detur e que caberá a ela decidir se pede ou não a prisão preventiva da acusada.

Compartilhe esta notícia