Suspeitas de compor um esquema bilionário comandado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), duas moradoras do município de Santo Amaro de Brotas – região da Grande Aracaju, seguem monitoradas por profissionais da Polícia Federal. Ellen Bianca de Franca Santana Resende e Maria Edenize Gomes, podem terem sido usadas como operadoras laranjas de um movimento especializado e bilionário no setor de combustíveis. Os detalhes desta investigação têm sido apresentadas de forma gradativa desde a última quinta-feira, 28, quando uma força-tarefa nacional com cerca de 1.400 agentes em nove estados, incluindo Sergipe.
Pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública – por intermédio da Superintendência Nacional da Polícia Federal, foi revelado que o grupo criminoso atuava na importação irregular de produtos da cadeia de combustíveis. As irregularidades foram identificadas em diversas etapas do processo de produção e distribuição de gasolina e etanol no país. Os peritos reconhecem que este esquema tem lesado não apenas os consumidores que abastecem seus veículos no Brasil, mas toda uma cadeia econômica ligada aos combustíveis. Foi observado ainda que mais de 300 postos que atuavam nessas fraudes.
Já o setor estima um impacto maior, em cerca de 30% dos postos em todo o estado de São Paulo, em torno de 2.500 estabelecimentos. A apuração deste movimento criminoso envolveu também peritos da Receita Federal, os quais constataram a existência de ao menos 40 fundos de investimentos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, controlados pelo PCC. No que se refere às duas sergipanas, ambas aparecem como personagens relevantes para a ocultação da real propriedade e a criação de camadas societárias fraudulentas que dificultam a identificação dos beneficiários finais e a lavagem de capitais, além dos vínculos societários com empresas ligadas ao grupo.
Segundo a apuração, Ellen Bianca foi substituída por Maria Edenize nos quadros societários das padarias, um modus operandi também observado em empresas ligadas aos postos de combustíveis para criar camadas de ocultação. As investigações seguem parcialmente em sigilo devido a probabilidade de haver novos desdobramentos neste mês de setembro. As mulheres citadas não concederam entrevistas, ou se manifestaram sobre o assunto por intermédio de assessoria jurídica. Denúncias anônimas capazes de contribuir com as investigações podem ser compartilhadas diretamente na plataforma ‘Comunica PF’. (MAJ)
Mulheres de Sergipe são acusadas de participação no PCC


