Milton Alves Júnior
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Dezenas de mulheres na manhã de ontem foram às ruas de Aracaju para realizar a segunda edição da ‘Marcha das Vadias’ de Sergipe. Tendo como tema: "juntas somos livres", o principal objetivo das manifestantes era chamar a atenção da sociedade para a importância em diminuir o machismo ainda constante no dia-a-dia das mulheres, como também contribuir para combater os crimes sexuais contra elas. Segundo dados publicados pelo Conselho Nacional de Defesa da Mulher, Sergipe é o 17º estado com o maior número de feminicídio no Brasil. Já o país, é o 12º do mundo.
Realizada simultaneamente em diversas capitais, a exemplo de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, a marcha também objetiva conscientizar as mulheres a eliminarem a síndrome do pânico, denunciar os criminosos e contribuir para a redução dessa estatística. De acordo com a jovem Thayane Rocha, membro da comissão organizadora da Marcha, a liberdade é um direito de todos, mas muitas mulheres ainda não a conquistaram. "Nosso entendimento é de que enquanto uma mulher não estiver livre, nenhuma das outras estará. Somos livres para usarmos o vestuário que nos sentimos confortáveis", disse.
Questionada quanto ao receio das mulheres em usar blusas decotadas, ou shortes curtos, Thayane disse que "mostrar parte da barriga não é convite para a prática sexual". Para ela, os governos possuem um papel fundamental no combate aos diversos tipos de crime contra as mulheres. "O importante nesse momento é estudar medidas de fiscalização e punição não só contra o machismo, mas também contra a homofobia, o racismo, a violência e qualquer forma de preconceito", pontuou. Novidade para muitos populares, a caminhada, que percorreu as principais ruas do Centro da capital, chamou a atenção dos aracajuanos e contribuiu para a formação de um grandioso congestionamento.
Caloura no ato, a estudante Raquel Victória disse que apesar da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) possuir um departamento especializado no combate a crimes dessa natureza, mobilizações como a Marcha das Vadias podem ser fundamentais para que toda a sociedade passe a exigir dos governos uma ampliação e modernização desses setores. "A matemática é simples. Se todas as mulheres começarem a compartilhar com amigas e vizinhas as agressões que são praticadas pelo companheiro, em um futuro breve vamos registrar bons avanços nessa missão. Pela primeira vez participo dessa caminhada e espero estar ajudando", disse.
Com instrumentos musicais e trajando roupas curtas, o grupo feminino ao longo do respectivo cortejo conquistou novos apoiadores, inclusive do sexo masculino. Satisfeita com o resultado de mais uma marcha, a jovem Bárbara Aguiar garantiu que ao longo dos anos a perspectiva é que o movimento fique ainda mais representativo. "Esse ano, apesar de o ato ter sido realizado em um dia de sábado, percebemos que houve uma união mais participativa. Sabemos que estamos no caminho certo. Quem sabe em 2014 outros municípios sergipanos também realizem essa caminhada! Se ser livre é ser vadia, todas as mulheres são". Para regularizar o fluxo de veículos, agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU) foram acionados.
Histórico – A Marcha das Vadias surgiu em 2011 quando, depois de uma série de abusos contra mulheres na Universidade Federal de Toronto, um policial pediu para que elas evitassem se vestir como ‘vadias’, com o objetivo de não se tornarem vítimas dos ataques provocados por estupradores. Indignadas, milhares de mulheres promoveram um protesto no Canadá e Estados Unidos naquele ano e desde então vem ganhando proporções internacionais. Na América do Sul, por exemplo, apenas Bolívia e Equador ainda não possuem registro dessa marcha. Já no Brasil, das 27 unidades federativas, 23 promovem anualmente essa caminhada.


