Das agências Telam e Venezuelana de Notícias
Caracas – Acompanhada por uma multidão de simpatizantes e seguidores, a urna com o corpo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deixou o Hospital Militar, em Caracas, ao meio-dia, e iniciou o cortejo rumo ao Forte Tiuna, na Academia Militar, onde começou a ser velado ontem.
Antes do traslado, houve uma breve cerimônia religiosa no hospital, na presença da mãe de Chávez, Elena Frías. Foi na Academia Militar que Hugo Chávez formou-se oficial do Exército venezuelano.
O caixão com o corpo do presidente, que morreu na tarde de anteontem (5), aos 58 anos, foi coberto com a bandeira da Venezuela e cercado por militares que usavam boinas vermelhas. Um padre rezou o Padre Nosso e a Ave Maria e benzeu a urna, depois que foi cantado o Hino Nacional.
Nos arredores, uma multidão vestida de vermelho, na qual apareciam muitos com casacos tricolores, esperava a passagem do caixão.
À frente estavam o vice-presidente executivo Nicolás Maduro e sua esposa, a procuradora Cilia Flores, para o último adeus ao presidente. O cortejo avançava lentamente pelas avenidas da capital venezuelana.
Na Academia Militar, aguardavam a chegada do cortejo o Alto Comando Militar e representantes dos três Poderes da República.
A multidão, que portava bandeiras vermelhas, identificam o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), entoava canções que expressavam seu carinho pelo líder bolivariano, a quem reconhece sobretudo pelas políticas de inclusão social e pela defesa da unidade latino-americana.
"Chávez é nosso pai. Mesmo que não esteja aqui conosco, sempre nos acompanhará. Um homem como ele aparece a cada 200 ou 300 anos", disse, emocionado, um homem de cerca de 60 anos. Ao lado, uma jovem de não mais que 20 anos, exibia, chorando, uma bandeira com o rosto do presidente, que dizia: "Todos somos Chávez".
Já estão na Venezuela os presidentes Evo Morales, da Bolívia, José Pepe Mujica, do Uruguai, e Cristina Kirchner, da Argentina. A presidenta Dilma Rousseff e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, devem viajar hoje (7) à tarde. O enterro de Chávez está marcado para sexta-feira (8) às 10h.
O funeral do presidente da Venezuela, Hugo Chávez ocorrerá na sexta-feira (8), segundo a agência estatal de informações Agência Venezuelana de Notícias.
A cerimônia está marcada para as 10h (hora local, 12h30 no horário de Brasília) na Academia Militar da Venezuela, em Caracas. Antes da cerimônia fúnebre oficial, para a qual são esperados chefes de Estado da América Latina, a população venezuelana poderá prestar as últimas homenagens a Chávez. O governo da Venezuela ainda não informou em que local o corpo do presidente será enterrado.
Morte de Chávez desperta a reflexão sobre vulnerabilidade econômica da Venezuela
Brasília – Analistas econômicos ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem um sentido mais de cunho ideológico pelo desaparecimento da figura carismática de um representante de posição esquerdista do que do ponto de vista prático sobre a economia tanto daquele país quanto das demais nações da América Latina.
Caso se confirme o nome do atual presidente interino, Nicolás Maduro, nas eleições como o provável sucessor na Presidência, deve ser mantida " a política chavista ou bolivariana oposta ao neoliberalismo", disse o economista Samy Dana, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Se a oposição ganhar, ele acredita que a tendência é uma abertura maior nas parcerias bilaterais e multilaterais no mundo dos negócios, porém, em processo lento.
Por enquanto, no entanto, o economista diz ser muito cedo para traçar um cenário futuro sobre os efeitos da morte de Hugo Chávez. O fato, na opinião dele, abre espaço para reflexão sobre a vulnerabilidade existente em torno da forte dependência do petróleo, recurso natural que responde por 96% das exportações daquele país.
Dana disse que o produto está sujeito às oscilações do mercado internacional e, como no passado as cotações estavam em alta, o Produto Interno Bruto (PIB – soma das riquezas geradas no país) da Venezuela teve expansão de 6%.
O economista reconhece que apesar de gerar polêmica pela sua natureza centralizadora, a condução econômica do governo de Hugo Chávez conseguiu resultados promissores como a redução da pobreza e o aumento do PIB per capita de US$ 8,2 mil para US$ 13,2 mil.


