Kátia Azevedo
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Ontem, os postos de saúde da Prefeitura de Aracaju operaram com 30% do efetivo de médicos em decorrência da paralisação dos profissionais por melhorias salariais.
Mesmo com a paralisação, os serviços de urgência e emergência nas Unidades de Pronto-Atendimento Nestor Piva e Fernando Franco funcionaram normalmente.
Os médicos paralisaram as atividades diante da indefinição da gestão municipal sobre reivindicações de adequações salariais e condições de trabalho apropriadas para o exercício da profissão.
Em novo protesto realizado ontem entre o calçadão da João Pessoa e a praça General Valadão, os profissionais chamaram a atenção para necessidade de reestruturação de toda a rede de saúde com o objetivo de melhorias de atendimento à população.
O objetivo do sindicato foi evitar prejuízos ao atendimento da população No dia anterior, os médicos do Estado também realizaram manifestação no mesmo local e, com narizes de palhaço, denunciaram o descaso do executivo na esfera estadual e municipal com a saúde pública.
Para o Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), os gestores públicos precisam romper o silêncio com a categoria e fazer valer o Plano de Carreira de Cargos e Vencimentos (PCCV), que ainda não foi implantado. Com a prefeitura, o impasse é a indefinição sobre propostas de reajuste salarial.
José Augusto Oliveira, presidente do Sindimed, lembrou que a decisão dos profissionais em suspenderem o atendimento por 24 horas foi provocada pela falta de resposta do poder público municipal às reivindicações dos servidores.
Esta é a primeira paralisação dos médicos após a mudança da gestão da Secretaria Municipal de Saúde. "O município provocou esta paralisação. Desde janeiro, período de campanha salarial da data-base, a atual gestão não buscou um diálogo com o sindicato. Estivemos na quinta-feira. a prefeitura causou esta paralisação. O mais agravante é que eles aguardaram a reunião para a véspera da paralisação", ressalta.
Para o sindicato, a reunião não trouxe novidades e só reforçou o impasse diante da indefinição de qual secretaria partirá o acordo salarial. "Durante a reunião, não ficou clara se é a secretaria de Finanças ou da Saúde que cabe o processo de negociação salarial. Sendo assim, estamos tentando agendar uma audiência com o prefeito para que defina qual a pasta tem o poder de discutir questões salariais com o sindicato.
Entendemos que a prefeitura tem que discutir esta decisão com os servidores municipais nem que seja para dizer que não tem dinheiro, agora fechar as portas, não aceitamos. Somos servidores que mantemos a operacionalização da rede de saúde com toda a precariedade existente", frisa José Augusto.
Durante à tarde, o sindicato realizou assembleia para repassar o resultado da reunião com a Secretaria Municipal de Saúde à categoria. "Vamos manter mobilizações sem previsão de outra paralisação por enquanto", avisa. A rede municipal possui cerca de 500 médicos para atender as unidades de saúde. Segundo o presidente do Sindimed, os profissionais recebem atualmente R$ 3.250, sendo que o piso proposto pela categoria é de R$ 9.800.
A Prefeitura Municipal de Aracaju informou que houve uma reunião entre o secretário de Finanças, Nilson Lima, e o Sindimed na última terça-feira, 5. Durante o encontro, o secretário ouviu as reivindicações e uma comissão será montada para discutir as pautas de reivindicação. Já há proposta salarial feita pelo sindicato desde o ano passado. Os médicos reivindicam remuneração de R$ 9.800, próxima ao piso nacional da categoria que chega a cerca de R$ 10 mil.


