Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Música pra dar e vender. O olhar crítico proposto pelo Circuito Sesc de Música sugere que já temos uma produção autoral expressiva o suficiente para subsidiar a reflexão. A partir da próxima segunda-feira, quando o Grupo Brasileiríssimo de Choro se apresenta no Sesc Centro (programação completa abaixo), diversas bandas dedicadas à música instrumental da terrinha vão se dedicar ao que sabem fazer de melhor. Durante cada concerto, muita conversa e bate-papo. A ideia é que os músicos dividam a dor e as delícias do fazer artístico com o público.
De acordo com Fábio Oliveira, gerente de música do Sesc, as últimas edições do Sescanção e o próprio circuito Sesc de Música são indícios de que a música sergipana tem muito a oferecer ao mundo.
"A prova disso foi a escolha de Gentil pra representar Sergipe no Femucic, em Maringá. Gentil é um tipo de músico raro em termos de qualidade técnica e que, cada vez mais, encontramos no cenário. É também o caso de Ricardo Vieira, do Brasileiríssimo, um super violonista, com uma pesquisa afiada no estilo. O pessoal do Renantique, que se dedica ao estudo de um repertório de difícil acesso e execução é outra evidência de que não falta profissionalismo à música sergipana".
Fábio aproveitou a oportunidade para lembrar que o Sescanção está com inscrições abertas e reafirmar a fé empenhada no momento vivido pela nossa cena.
"São vários os nomes relevantes na música sergipana do século passado que passaram pelo Sescanção. Hoje, o cenário mudou um pouco. Desde 2009 não há o caráter competitivo de um festival. O Sescanção virou uma mostra de música. Ao mesmo tempo, a cena local deu uma amadurecida. Mais artistas e grupos estão correndo por fora, dando os seus pulos, alheios à dependência estatal de outrora. Acho que a função do Sescanção hoje em dia é oferecer um recorte. Não dá mais pra abarcar todo o cenário. A gente fica na torcida pra que mais gente bacana se inscreva. A Mostra só tem a ganhar e o público agradece".
A modéstia de Fábio não diminui o papel do Sesc no fomento à produção local. "Acho que o nosso papel é esse mesmo: instigar, oferecer as alternativas. Se o público tem 15 ou 1.500 pessoas não importa. Se os presentes forem tocados e saírem transformados da apresentação, nosso objetivo foi alcançado".
Foi mesmo. Hoje, nós, os animados pelos tambores da tribo não atendemos por um nome próprio. Chamam-nos Multidão, pois somos muitos.
Circuito Sesc de Música:
06/maio| 19h – Grupo Brasileiríssimo de Choro (Sesc Centro)
07/ maio (ter) | 15h – Alberto Silveira (Sesc Socorro)
08/ maio (qua) | 18h – Música Antiga Renantique (Shopping Riomar)
09/ maio (qui) | 19h – Coutto Orchestra (Café da Gente/ Museu da Gente Sergipana)
10/ maio (sex) | 19h – Casa Forte (Sesc Ler/ Indiaroba)
11/ maio (sáb) | 19h – Orq. Vale do Cotinguiba (Sesc Mesa Brasil – Auditório da UFS/ Itabaiana)*


