Municípios tradicionais suspendem festas de Carnaval alegando 'crise'

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Em tempos de crise econômica e falta de planejamento orçamentário por prefeituras do Estado de Sergipe, o carnaval deste ano promete ser o menos representativo dos últimos dez anos. Conhecido mundialmente como o mês mais atraente para turistas nativos e estrangeiros no Brasil, fevereiro, que começou hoje, deve mesmo registrar a festa do momo com baixo número de atrações, e reduzida presença de visitantes no menor Estado da nação.

Para manter a tradição, a Prefeitura de Neópolis garantiu algumas bandas de Frevo para rodar pela cidade durante o dia. Já em Pirambu, única cidade que investiu na festividade, apresenta uma programação diversificada. Em Aracaju, a festa se resumirá a mais uma edição do Rasgadinho, bloco idealizado em 1962 por moradores dos bairros Getúlio Vargas e Suíssa.

Em meados do último mês de janeiro a Prefeitura de Aracaju comunicou que estava garantida a realização da terceira edição do ‘Carna Caju’, projeto idealizado pelo prefeito João Alves Filho após assumir como chefe do executivo municipal. No início da semana passada foi divulgada a programação deste evento que seria realizado na Passarela do Caranguejo e tinha como perspectiva reunir mais de 50 mil pessoas por dia. Alegando falta de apoio de restaurantes e bares, além de uma possível falta de dinheiro nos cofres públicos, na tarde de sexta-feira, 30, o evento foi oficialmente cancelado. Além do Rasgadinho que recepciona mais uma vez o cantor Zeca Baleiro e outras estrelas do cenário nacional da música, os aracajuanos podem participar de outros blocos de rua criados por moradores de bairros e conjuntos, porém sem atração especial.

Também tradicional nos festejos carnavalescos, o município de Nossa Senhora do Socorro é mais uma cidade a cancelar as comemorações em virtude de problemas financeiros. Conforme declarado pela Secretaria Municipal de Comunicação, o principal fator que viabilizou o cancelamento foi a redução da arrecadação municipal do Fundo de Participação Municipal (FPM), que é encaminhado pelo governo federal aos municípios. Se comparado a janeiro do ano de 2014, essa redução foi contabilizada na casa dos 38%. "Além dessa redução na folha do municipio o aumento do salário minimo impactou a nossa folha em R$ 200 mil. Nós tivemos que privar as pessoas da festa para que pudessmos manter o pagamento dos servidores em dia e promover obras", disse o secretário Henrique Matos.

Litoral Sul – Nas praias do litoral Sul de Sergipe a previsão é de carnaval semelhante às grandes cidades. No povoado Caueira, município de Itaporanga D’Ajuda, nenhuma programação foi apresentada até o momento e tem causado descontentamento por parte dos moradores. De acordo com o comerciante Fabrício Meireles, com a não realização da festa, é previsto redução no número de visitantes. "Eu não acredito que esse ano seja melhor que o ano passado. Quem vem pra cá são os donos de casa de veraneio, ou amigos e familiares deles. Sem festa na praça, já é previsto que as vendas caiam aqui, tanto nos restaurantes, como nas pousadas e bares. Tem um ano pra se programar e agora as prefeituras vêm dizer que não tem condições", lamentou.

Na praia do Abais, município de Estância a situação não é muito diferente. Sem festividade organizada pela administração municipal, outros problemas começam a atormentar parte dos donos de casas ou chalés. Sem fiscalização ostensiva, o uso de paredões de som tem causado dor de cabeça para aqueles que desejam uma boa noite de sono.

Proibição – Outra festa do momo cancelada em 2015 foi a tradicional festa realizada em Canindé do São Francisco. De acordo com uma nota divulgada pela Prefeitura, o Ministério Público expediu recomendação para a não utilização de recursos públicos com o Carnaval no município neste ano. Mesmo reconhecendo a importância da festa para o comércio e o turismo da cidade, gerando renda e empregos para a população, o órgão estadual de fiscalização orientou o prefeito a não realizar este tipo de gasto neste período que se aproxima.
Além de Canindé, outros seis municípios sergipanos estão proibidos de promover qualquer tipo de festa com recursos públicos, por conta da situação de emergência em decorrência da seca desde o mês de novembro passado. São eles: Poço Redondo, Poço Verde, Monte Alegre, Frei Paulo, Nossa Senhora da Glória e Gararu. Outras cidades como: Barra dos Coqueiros, Itabaiana, Lagarto e São Cristóvão também seguem sem carnaval programado.

Compartilhe esta notícia