Em assembleia realizada na noite desta sexta-feira, na Academia de Polícia Civil (Acadepol), os agentes e escrivães da Polícia Civil decidiram fazer uma cobrança mais incisiva do governo, principalmente quanto ao parcelamento e ao atraso do pagamento dos salários. O Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol) não confirmou claramente quais ações serão deflagradas pela categoria, mas indicou que adotará a estratégia do cumprimento à risca do que a legislação define sobre o trabalho diário dos servidores, nos mesmos moldes do ‘Polícia Legal’ e da ‘Operação Padrão’ deflagrada pelos policiais civis em 2007 para cobrar melhoria dos salários. A Delegacia-Geral do órgão deve se manifestar sobre o assunto também nesta segunda.
"A Polícia Civil vai trabalhar cumprindo exatamente o que diz a lei. A nomenclatura é uma questão secundária, mas iremos atuar da mesma forma. O movimento sempre existiu para buscar resolver as questões dos policiais civis. E estamos agindo com cautela para não tomar nenhuma decisão precipitada", define o diretor de comunicação do Sinpol, Jorge Henrique dos Santos, que descarta totalmente a possibilidade de paralisação ou greve por parte dos agentes e escrivães. "Há outras formas de ação que podem nos dar ainda mais visibilidade, sem prejudicar ainda mais a população que já vive prejudicada todos os dias, trancada em suas casas. E isso acontece graças a uma política equivocada que dá mais direitos ao bandido do que ao cidadão de bem", protestou Jorge.
Uma nova assembleia do Sinpol foi marcada para esta quarta-feira, às 9h, também na Acadepol, para discutir outras questões. As principais queixas, no entanto, referem-se ao atraso nos pagamentos dos salários. De acordo com Henrique, os policiais, bem como outros servidores, já acumulam dívidas e prejuízos há mais de um ano, quando o governo do estado começou a adiar os pagamentos. "Nós já estamos praticamente com um mês de salário perdido, porque antes nós recebíamos entre os dias 28 e 31 de cada mês. Hoje, estamos recebendo pelo dia 12 e, para esse mês, correm rumores de que uma das parcelas será paga no dia 22. Enquanto isso, as nossas prestações estão se atrasando, os juros se acumulando, precisamos fazer a feira, pagar as nossas despesas", reclama o sindicalista.
Ainda de acordo com Jorge, o Sinpol aguarda ainda pelo julgamento de um mandado de segurança impetrado no ano passado junto ao Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), pedindo que o governo estadual seja obrigado a manter os salários em dia. "Essa ação já está há mais de um ano na mesa do desembargador Ruy Pinheiro [da Silva] e ainda não foi julgada. Agora, se fosse para punir algum policial ou decretar a ilegalidade de uma greve, infelizmente a Justiça seria mais célere", lamenta o diretor.
Sobre o argumento de que o governo tem dificuldades financeiras para pagar os salários em dia, o representante do Sinpol afirmou que "existem outras soluções para o Estado desafogar a folha". Uma delas, por exemplo, seria a devolução das folhas de pagamento do Legislativo e do Judiciário aos respectivos poderes, os quais, segundo Jorge, têm conseguido manter os pagamentos em dia. "Enquanto isso, as atividades essenciais vêm sendo prejudicadas, deixadas por último. Principalmente a saúde, a educação e a segurança. Não queremos embate com o governo, mas nós, servidores, não vamos aceitar levar calados as chicotadas dadas em nós pelos nossos políticos, que agem muitas vezes como os feitores", avisa o sindicalista.


