Não Pago vai organizar manifestação contra reajuste de passagem

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Coordenadores do Movimento Não Pago se reuniram na noite de ontem, em Aracaju, para debater estrategicamente as medidas emergenciais que devem ser adotadas a fim de inviabilizar a publicação do Projeto de Lei que reajusta a tarifa do transporte coletivo da Grande Aracaju para R$ 2,70. Após aprovada em 14,9% por 12 vereadores aracajuanos, a mudança no valor passa a valer a partir do momento que o prefeito João Alves Filho sancione o projeto e autorize a publicação no Diário Oficial. Conforme avaliação dos manifestantes, a planilha de preços apresentada pela Prefeitura de Aracaju contém pontos incoerentes e o valor real da tarifa seria de R$ 1,90. Já os empresários pleiteiam R$ 2,90.
Inconformado com a atuação administrativa adotada pelo chefe do executivo municipal e dos vereadores que compõem a base aliada dentro da Câmara de Vereadores de Aracaju, o economista Demétrio Varjão enalteceu a necessidade de mobilizar os usuários do sistema para brigar pelos direitos comunitários. Representante do movimento, Varjão destacou os aspectos positivos conquistados no ano passado quando milhares de sergipanos foram às ruas, e os problemas que devem enfrentar já nos próximos dias. Para os manifestantes, a perspectiva é que já a partir da próxima segunda-feira, 22, os atos públicos comecem a tomar conta da cidade.
"Todos nós sabemos que é um absurdo um reajuste nesse momento delicado onde a insegurança continua atormentando os passageiros, os ônibus continuam precários, os terminais e pontos de ônibus nem se falam, e a frota é mínima diante da tamanha demanda. Qualquer aumento é indevido, uma subida de R$ 0,35 é ainda mais repugnante", afirmou. Assim como ocorreu no mês de maio do ano passado, estudantes e demais usuários do transporte coletivo decidiram criar movimentos populares a fim de exigir o não reajuste da tarifa enquanto o serviço prestado continuar sendo fornecido de forma precária.
A perspectiva do grupo é que os atos iniciais sejam realizados nos principais terminais de integração e nas proximidades do Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da prefeitura. Reunidos em praça pública, os estudos operacionais estão sendo debatidos com o propósito de reunir maior número de manifestantes se comparado ao ano passado. "Se o serviço fosse bom, os ônibus não atrasassem e nós não tivéssemos o que recalcar, eu seria a primeira a pagar esse valor com o maior gosto, mas a realidade é outra, totalmente diferente. João Alves veio com a promessa de solução e o que percebemos é o segundo reajuste em dois anos", lamentou a estudante Taiala Menezes.
Durante o diálogo de ontem não houve registro de presença, nem conflito com agentes da Guarda Municipal ou Polícia Militar. Ainda de acordo com Demetrio Varjão, é preciso que as pessoas conheçam de perto o trabalho dos movimentos sociais e o quanto eles são importantes para o bem estar dos contribuintes. "Estamos nos reunindo e até enfrentando ações judiciais por entender que juntos podemos lutar por nossos direitos, principalmente aquele mais importante, o de ser ouvido. O prefeito manda um projeto dessa natureza para a CMA, os vereadores aprovam em tempo recorde e a população como fica? Isso é o que vocês chamam de democracia? Por isso estamos novamente reunidos e torcemos pelo apoio de todos os aracajuanos", pontuou.

Atos – Diante do número já excessivo de boatos e trotes, a coordenação do Movimento Não Pago informou que todos os movimentos públicos a serem realizados na capital e demais cidades da Grande Aracaju serão publicados oficialmente apenas através das redes sociais do movimento e e-mails encaminhados para os meios de comunicação. A tabela de atos 2014 deve ser anunciada ainda neste final de semana.

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