Rian Santos
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Deitado na rede, contemplo a ilusão do céu azul. É a última mentira em que acredito. Doce como um dia de verão, a fantasia de um nordeste altivo, capaz de fazer frente ao assédio da direita talibã, mostra-se agora para mim com os mesmos contornos enganosos de uma miragem.
O primeiro turno das eleições municipais em Aracaju não deixa margem para dúvidas: o Brasil encaretou de norte a sul, reflexo de uma derrocada global. Conservadores amorenados repetem aqui, sob o sol forte dos trópicos, as mesmas lorotas pronunciadas antes na língua enrolada do Tio Sam. Muda apenas o idioma, mais nada.
Atenho-me ao discurso enfadonho de Emília Corrêa, às incoerências legislativas de Moana Valadares. Os limites estritos de um pleito municipal não as intimida. Uma pretende furar a bolha de um tal “sistemão” abancada a uma escrivaninha, cá no fim do mundo. A outra se fez vereadora com votação expressiva declamando groselhas sobre Deus, pátria e família.
Faço questão de repercutir excelente artigo do jornalista Marcos Cardoso, sempre muito atento ao movimento das peças sobre o tabuleiro político da terrinha.
“Esta eleição de 2024 é atípica (…). Desde 1985, quando foram retomadas as eleições nas capitais e Jackson Barreto (PMDB) foi eleito prefeito, sempre houve nas disputas pela Prefeitura de Aracaju um nome forte identificado com a esquerda: Wellington Paixão, João Augusto Gama, Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira. A exceção foi 2012, quando o ganhador foi João Alves Filho”.
Ele conclui: “Agora pode se repetir a eleição de alguém da direita. Pior, da direita bolsonarista”.
Eu, de minha parte, temo pelo pior desde quando, órfãos de liderança, os políticos eleitos de perfil progressista se sentiram à vontade para sentar à mesa e compartilhar talheres com André Moura e Laércio Oliveira. A culpa é só deles. Daí para a eleição de Emília Corrêa, convenhamos, basta um pulo.


