Embora tenha nascido em Honolulu, no Havaí, ela viveu os primeiros anos em Washington D.C., onde seu pai, Anthony, investiu na carreira de bioquímico ao fazer pesquisas sobre o câncer de mama. Quando tinha três anos, a família mudou-se para um bairro de classe média alta em Sidney, na Austrália, onde o pai se tornou psicólogo. A pele alva a impedia de sair ao sol.Foi essa característica que a aproximou da veterana Shirley MacLaine nas filmagens de "A Feiticeira". Na ocasião, Nicole declarou:"Quando se tem a pele muito branca, é como se você fizesse parte de um clube de poucas pessoas, e Shirley também sabe como é ser assim".
Enquanto as outras crianças brincavam sob o sol escaldante australiano, a pequena Nicole Mary fazia aulas de balé e mergulhava nos romances das irmãs Brontë – "O Morro dos Ventos Uivantes" é um de seus preferidos. Seu espírito introspectivo acentuou-se na adolescência. Nicole atingiu seus 1,79m de altura rapidamente e ganhou o apelido de cegonha. Mais do que nunca, permanecer na combra lhe pareceu convidativo, até que descobriu outro lugar seguro: o teatro. Ingressou no Philip Street Theatre e se apaixonou. Os pais não aprovaram quando decidiu abandonar o colégio para se dedicar à carreira. Até hoje lhe cobram o diploma.
Quando a turbulência em casa passou, a atriz mergulhou no trabalho. Apareceu em produções na TV australiana e, em quatro anos, já somava quinze títulos na filmografia. Em 1987, ganhou destaque na minissérie "Vietnã". Impetuosa, quando ela quer um papel, luta com unhas e dentes para conquistá-la e não mede esforços para realizar uma boa performance. Para encarnar a escritora Virgínia Wolff em "As Horas", por exemplo, a canhota Nicole aprendeu a escrever com a mão direita, assim como a notável escritora. Não foi apenas a metamorfose física, como o esquisito nariz postiço, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de Ouro. Era no olhas e nos gestos contidos que a estrela externava a depressão que dominava sua personagem. Ela costuma se entregar de tal forma que, ao fim de "Retrato de Uma Mulher", caiu de cama por duas semanas, com estresse emocional. Nicole conta que seu método demanda um estado de profundo relaxamento, "como se estivesse sonhando acordada, aberta para um outro alguém tomar vida através de mim".
Nicole casou-se com Tom Cruise em dezembro de 1990, após um ano de namoro. A união durou uma década. Tinham um pacto de não ficar mais de uma semana um longe do outro, daí a atriz abdicar de muitos trabalhos. Para manter a privacidade do marido, abriu mão dos amigos de infância.
Livre do estigma de "Sra. Cruise", Nicole rodou a baiana como a cortesã Satine de "Moulin Rouge", o belo e extravagante musical de Baz Luhrmann em que se revelou dançarina e cantora pra ninguém botar defeito. A atriz apareceu desprovida de qualquer glamour no terror "Os Outros", falou russo em "A Liga Perfeita" e comeu o pão que o diabo amassou – diabo chamado Lars Von Trier – no set de "Dogville". "Um dia era como estar num conto de fadas, no outro era um pesadelo". Ela desabafou. "Lars era gentil e doce, mas sabia acabar comigo emocionalmente quando achava preciso".
Nicole engatilhou um filme atrás do outro: "Revelações", "Cold Montain", "Reencarnação", (onde criou polêmica ao dividir a banheira com um garoto) "A Intérprete", "A Feiticeira", "Fur" (cinebiografia da fotógrafa Diane Arbus), "Vampiros de Almas" e "A dama de Shangai".
(Resumo do capítulo 49 do meu livro inédito "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")


