Novo impasse suspende coleta de lixo

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O dia de hoje promete ser de novos impasses entre a empresa Torre e a Prefeitura de Aracaju. A sucessiva onda de conflitos administrativos torna-se possível após garis, margaridas e demais funcionários da Torre, pela quinta vez em 11 meses, ter registrado a ausência do repasse do ticket alimentação e do vale transporte. Depois de dois dias de paralisação parcial dos serviços urbanos, na manhã de ontem o Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp) decidiu em assembleia realizar uma nova suspensão da coleta de lixo doméstico e comercial na capital sergipana. A mobilização desta vez será de seis horas seguidas e contará com 50% do efetivo operacional.

Ontem à tarde foi realizada uma reunião entre diretores da Torre e do Sindlimp na Secretaria Regional do Trabalho, mas não saiu um entendimento final. Os garis voltaram ao trabalho no início da noite, mas voltam a realizar assembleia hoje de manhã, antes do início do expediente. Também ontem a direção da Torre informou que o vale-transporte dos trabalhadores foi pago e negou a possibilidade de demissão em massa. "Também concordamos em abonar o ponto dos trabalhadores que paralisaram suas atividades nos últimos três dias", dizia a nota.

Outro ponto destacado pela empresa trata-se da possibilidade de demissão em massa após o fim da quitação dos débitos milionários existentes entre a gestão municipal e a Torre. A empresa descarta qualquer possibilidade de demissão em alto número nos próximos anos. Apesar das garantias apresentadas, a categoria informou que não deixará de promover os atos públicos até o momento em que os benefícios sejam registrados nas respectivas contas bancárias. Enquanto isso, a população sofre com o acúmulo de lixos nas portas de casa.

Ao Jornal do Dia, Rayvanderson Fernandes, presidente do Sindlimp, informou que depois de ter acionado o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE), ontem foi a vez de provocar a Superintendência Regional do Trabalho (SRTE). Para o sindicalista é necessário que os órgãos estaduais e federais de fiscalização estejam cientes da reincidência dos problemas financeiros e constitucionais enfrentados por mais de 1.400 trabalhadores.
"Nos reunimos para discutir a situação e os colegas sindicalistas associados decidiram, por bem, realizar mais uma paralisação de seis horas nessa sexta e também comunicar o fato à Superintendência de Trabalho aqui em Sergipe. Sem os direitos em cash não haverá normalidade no sistema", avisou.

Em meio à troca de farpas e acusações, a direção da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável por contratar a empresa Torre, também informou que não entende o porquê da permanência das paralisações já que, segundo o órgão, as pendências do mês de outubro foram quitadas. A Torre, por sua vez, esclarece que o valor destinado à classe trabalhadora foi depositado, porém, deve entrar nas contas hoje devido à demora na compensação bancária. A nota em questão refere-se ao mês de outubro, a qual deveria ter sido quitada até o dia 13/10. Esse montante financeiro soma um valor em torno de 5 milhões de reais.

Ainda através de nota, a diretoria da Torre decidiu apelar ao bom senso do sindicato, para que os serviços sejam retomado e a população não seja ainda mais prejudicada. Em contraponto, o Simdlimp voltou a afirmar que apenas palavras de apelo não irão contribuir para que os trabalhos sejam reiniciados e retornem à normalidade. Para a direção sindical, é preciso que os garis e margaridas recebam os devidos direitos. "Enquanto nosso lado financeiro não estiver nos conformes legais, nossas paralisações irão continuar aqui na capital. Cansamos de esperar calados, cansamos de ser enganados e por isso a categoria decidiu por mais esta suspensão de seis horas seguidas", pontuou Rayvanderson Fernandes.

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