Número de homicídios se estabiliza, diz SSP

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou ontem um balanço estatístico dos homicídios registrados em Sergipe no primeiro semestre de 2016, e um comparativo com dados dos anos anteriores. Conforme os dados, levantados pelo Centro de Estatística e Análise Criminal (Ceacrim), 622 homicídios dolosos (com intenção de morte) aconteceram no Estado entre janeiro e junho deste ano.
Foram apenas duas mortes a mais do que as 620 ocorrências do mesmo período de 2015, o que representa um crescimento de 0,32%. Para a polícia, o índice representa uma estabilização dos assassinatos em Sergipe, já que, desde 2011, o número destes casos vinha crescendo a uma média de 18% ao ano. Na série histórica, houve aumento no primeiro semestre de 19,88% em 2011-2012, 17,10% em 2012-2013, 9,96% em 2013-2014 e 24,75% em 2014-2015.
A análise da SSP apontou ainda que as taxas de crescimento de homicídios pararam de aumentar no interior, onde os primeiros semestres de 2015 e 2016 tiveram 434 crimes cada um, interrompendo uma média de 15% de aumento na série histórica. Na Grande Aracaju, por sua vez, a primeira parte deste ano teve 188 assassinatos, contra 186 do mesmo período do ano passado. Isso representa um aumento de 1,08%, bem menor do que a média anual desde 2011, de 26%. A projeção da SSP aponta que, se a média de crescimento dos anos anteriores fosse mantida na primeira metade de 2016, teriam sido registradas 731 mortes dolosas, sendo 499 no interior e 234 na capital.
Para o delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira, o resultado representa um primeiro efeito prático das novas diretrizes de trabalho implantadas na SSP, que estipularam uma integração maior nas atividades das polícias Civil e Militar, além de uma reestruturação nas unidades de combate a homicídios e tráfico de drogas. "É um resultado de estabilização, ou seja, estamos fazendo a correção da curva de homicídios, que vem subindo nos últimos 10 anos. Durante a definição desta gestão, foi feito todo um esforço para reforçar as equipes do Denarc e do DHPP, além de criar novas plantonistas. Da parte da PM, foi realizado um trabalho de operações ostensivas nas áreas de incidência criminal mais grave", informou ele.
Ainda conforme Alessandro, os assassinatos vinham caindo mês a mês entre janeiro e maio, mas voltaram a aumentar em junho, mês marcado pelas festas juninas em todo o estado e pela queda acentuada na arrecadação financeira do Estado. "Tivemos um mês de junho com resultado negativo, em razão do acúmulo de eventos e da insuficiência de recursos para o pagamento de Grae e horas-extras. A gente consegue fazer esse trabalho extraordinário, em razão da falta de pessoal, pagando horas extras, no caso dos policiais civis, e Grae [Gratificação de Atividade Extraordinária] no caso dos militares. A partir do momento em que não temos esses recursos, o número de operações policiais cai e o marginal se sente mais à vontade nas ruas", admitiu o delegado-geral.  

Mais prisões – Outras duas estatísticas foram divulgadas pelo Ceacrim, também relativas ao período entre janeiro e junho. Em 2016, 1.741 adultos acusados de crimes foram presos pela polícia, entre autuações em flagrante e cumprimentos de mandados judiciais. O total é 5,84% maior que o mesmo período de 2015 e equivale a mais de 290 prisões por mês. Ou seja: a cada duas horas e meia, um adulto foi encaminhado ao sistema penitenciário em Sergipe.
Os dados não incluem o número de apreensões de adolescentes infratores, uma vez que eles são encaminhados para as unidades socioeducativas. Também não foi contado o total de pessoas detidas e liberadas logo em seguida após o pagamento de fiança ou nas audiências de custódia, mas, segundo o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), a maioria das prisões em flagrante acaba convertida em prisões preventivas.
A outra tabela refere-se às apreensões de armas de fogo, as quais subiram 35,86% nos últimos dois anos. Foram 841 armas recolhidas pela polícia no primeiro semestre de 2016, contra 698 em 2015 e 619 em 2014. Apenas entre o ano passado e o atual, o aumento das apreensões foi de 20,49%. A polícia acredita que estas apreensões, realizadas nas atividades diárias das polícias Civil e Militar, contribuíram para a diminuição no ritmo de crescimento dos assassinatos em Sergipe.
"É verdade que esses números ainda são altos e temos que trabalhar bastante, unidos com a sociedade e com todos os entes do sistema de Justiça Criminal, para comemorarmos uma redução dos homicídios. Felizmente, graças a uma nova postura da segurança pública implantada no início do ano, conseguimos fazer com que esse crime parasse de crescer. Agora, o foco é a redução e com muito trabalho, conseguiremos alcançar bons resultados", assegura o secretário de Segurança Pública, João Batista dos Santos Júnior.

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