A família do governador Marcelo Déda e os seus amigos choram a perda de um ente querido. Os demais sergipanos lamentam a lacuna deixada pela maior liderança política de toda uma geração. A comoção pública que sucedeu a informação de que o combate travado durante tanto tempo havia chegado ao fim é como a sombra que revela a estatura do homem. Por tudo o que fez e, ainda, por tudo o que não pôde, Déda foi um gigante.
Reconhecido pela envergadura política e capacidade intelectual de primeira grandeza, Déda sempre foi muito querido. Não apenas entre os militantes, dirigentes e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) – sigla que ajudou a fundar em Sergipe -, mas por todos os que vislumbram na imperfeição democrática dos embates partidários um instrumento a serviço de valores humanitários que o filho ilustre de Simão Dias carregava consigo e consagrou no exercício dos mandatos de Deputado Estadual, Deputado Federal, Prefeito e, finalmente, Governador de Sergipe.
Como, aliás, o próprio governador deixou claro em seu último discurso proferido: "Eu queria estar lá para ver aquilo que me fez entrar na política. Ver o sorriso do meu povo. A felicidade de quem recebe a obra. No fundo, no fundo, o maior ordenado que eu tenho é esse: o sergipano com o sorriso na face, e eu saber que colaborei para que aquele sorriso nascesse. Hoje, amigos, fiquem felizes todos porque os senhores semearam sorrisos. Sorrisos que eu não sei se vou colher. Mas, quando forem colher, lembrem-se de mim".
A multidão que está velando o corpo de Marcelo Déda, o homem e o político, no Palácio Olímpio Campos, a gratidão do povo por quem trabalhou tanto, foi o seu último alento. A ideia cultivada durante toda a sua vida pública, bem como no recato de sua vida privada, entre os seus, não há de morrer.


