As marcas de Marcelo Déda

Suas reflexões sobre a política, a gestão pública, a economia, o desenvolvimento de Sergipe, a História, a literatura, a desigualdade social, as obras públicas, a educação e a saúde pública, enfim sobre o acervo humano, sempre impressionaram pela qualificação do discurso e pela pelo estilo escorreito e lógico da fala

* Jorge Carvalho do Nascimento

Assumi a presidência da Segrase em julho de 2011, convidado pelo Governador Marcelo Déda. Na nossa primeira conversa, antes da posse, ele colocou com clareza o que gostaria de ver realizado na empresa: transformar o Diário Oficial do Estado de Sergipe em um periódico eletrônico publicado pela rede web; utilizar o parque gráfico da Segrase, após a implantação do Diário eletrônico, para publicar livros de interesse da cultura sergipana, normatizando e regulamentando a Editora Diário Oficial do Estado de Sergipe – Edise.

Exatamente um ano atrás, no dia 02 de dezembro de 2012, Marcelo Déda participou de uma solenidade na Segrase marcando o início da edição eletrônica do Diário Oficial. Um ano depois, nós, os sergipanos, recebemos o seu corpo para prestar-lhe as últimas homenagen s.

Antes de presidir a Segrase, trabalhei assessorando Marcelo Déda em seu Gabinete, no Palácio Adélia Franco. Tinha o encargo de organizar, para o registro da memória, os discursos que ele pronunciava. Nesta tarefa verticalizei o meu conhecimento sobre a erudição própria de um homem aplicado e de inteligência privilegiada. Suas reflexões sobre a política, a gestão pública, a economia, o desenvolvimento de Sergipe, a História, a literatura, a desigualdade social, as obras públicas, a educação e a saúde pública, enfim sobre o acervo humano, sempre impressionaram pela qualificação do discurso e pela pelo estilo escorreito e lógico da fala. Ao chegar ao Gabinete do Governador, em 2009, havia saído do cargo de Secretário de Estado Adjunto de Turismo, que exerci a partir de 2007, quando a gestão foi iniciada. Aprendi a conviver com um governador rigoroso, que cobrava da sua equipe competência, eficiência e ética.

O mesmo Marcelo Déda eu havia conhecido ainda como líder estudantil. À época, eu militando no Partido Comunista Brasileiro e ele fundador do Partido dos Trabalhadores. Convivi com a sua ascensão política, primeiro como deputado estadual, depois com os seus dois mandatos de deputado federal. Em 2000, tive a oportunidade de acompanhar o então prefeito de Aracaju, João Augusto Gama da Silva, aos gabinetes do deputado federal Marcelo Déda e do senador José Eduardo Dutra, quando Gama tomou a decisão de comunicar a ambos que desistira de ser candidato a reeleição (mesmo sendo à época o favorito nas pesquisas de opinião pública) para apoiar a candidatura de Marcelo Déda a prefeito de Aracaju. Participei da campanha eleitoral e acompanhei a sua ex itosa gestão no governo da cidade, o que permitiu a sua reeleição em 2004. Em 2006, estava no palanque que o elegeu governador de Sergipe pela primeira vez.
Estive com Marcelo Déda, trabalhando como intérprete na sua última viagem ao exterior, em julho de 2012.

Foi a Frankfurt participar de uma reunião na Federação das Indústrias da Alemanha, discutir com empresários daquele país, possibilidades de investimento no Estado de Sergipe. Do grupo participavam o secretário de governo, Pedro Lopes, e o secretário de desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia, Saumíneo Nascimento, além de sua filha, a jornalista Yasmin, que ia a França cumprir estágio profissional acadêmico como jornalista que é.
Depois, a doença que o acometeu e agora o retirou do convívio com os sergipanos, deixando à memória as marcas de um político competente, comprometido com a mudança social e, acima de tudo, ético.

* Jorge Carvalho do Nascimento é jornalista e professor da UFS. Preside a Segrase

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