Rian Santos
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Tem gente que não passa. As estações podem derrubar palácios esquecidos atrás dos tapumes, mas os versos de Mário Jorge continuarão vacilando feito um casarão abandonado, escorados na fragilidade do poeta, sua valentia. Lá se vão quarenta anos. A ferida não fecha.
O instante que lateja na brevidade do impulso, força motriz da poesia de Mário Jorge, será celebrado esta semana, quando o Teatro Atheneu abriga a homenagem ‘Mário Jorge – poesia que liberta’.
Ilma Fontes, amiga, poeta, escritora e jornalista; Thiago Martins Prado, professor Dr. da UNEB e pesquisador da obra de Mário Jorge; e Wellington Mangueira, companheiro de atividades políticas no PCB; fizeram questão de confirmar presença para realçar a militância e o valor do primeiro poeta concretista sergipano.
Testemunho maior, no entanto, pode ser encontrado na poesia de Mário Jorge. Em seus versos, a intuição de que a vida é sempre urgente e muito curta.
O poeta – Em sintonia com a poesia concreta, neoconcretista, poema processo, poesia práxis, poesia social, tropicalismo e, sobretudo, a poesia marginal, o lançamento da produção literária do sergipano Mário Jorge Vieira acontece com a publicação de ‘Revolição’, edição envelope, em 1968. Mas é no livro ‘Poemas de Mário Jorge’, publicado postumamente, em 1982, que se encontra boa parte da primeira fase de produção de Mário Jorge, de cunho sociopolítico (1964-1968), com forte influência do russo Vladimir Maiakovski e do poeta Thiago de Mello.
Com a denúncia dos problemas sociais do país e sob a dureza e perseguição da Ditadura Militar, Mário escreve poesia social e libertária nos livros ‘Silêncios Soltos’ (1993), ‘Cuidado, Silêncios Soltos’ (1993), e ‘De Repente, há Urgência.’, (1997).
A segunda fase da obra de Mário Jorge une traços do concretismo à poesia marginal publicada em muros, vendida em bares, cinemas, teatros, praias, entre outros espaços, além da coluna Geléia Geral, mantida por Torquato Neto no jornal Última Hora.
Poesia que liberta – Para esta ocasião especial, os músicos Beto Carvalho e Anabel Vieira prepararam um show de poemas musicados de Mário Jorge. A Cia. de Teatro Stultífera Navis participará da homenagem representando a peça ‘Mário Jorge: Leia em Voz Alta Para o Seu Estimado Cachorro!’.
Um recital de poesias de Mário Jorge e o relançamento do envelope "REVOLIÇÃO", única obra do poeta lançado em vida, integram a programação, que conta com a Exposição da Vida e Obra de Mário Jorge.
Serviço:
Local: Teatro Atheneu
Data: 11 de janeiro (sexta-feira)
Hora: 19 horas


