O brilhante Déda

Nos últimos três meses eram frequentes os boatos sobre a morte do governador Marcelo Déda (PT), que lutava contra um câncer gastrointestinal e desde o dia 27 de maio deste ano encontrava-se licenciado do governo, fazendo tratamento de saúde no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Há cerca de 15 dias realmente se agravou o seu estado de saúde, com a paralisação do fígado e um dos rins. Tanto é que no dia 19 de novembro o governador em exercício Jackson Barreto (PMDB) cancelou a agenda e viajou a São Paulo para uma visita ao amigo e companheiro de longa jornada. O grande amigo, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que foi deputado federal junto com Déda, também foi visitá-lo.

Filhos, irmãos e alguns amigos próximos de Déda também foram para São Paulo visando permanecer ao seu lado nos últimos momentos da sua vida. Naquele momento, a expectativa era que o governador teria apenas 48 horas de vida, uma vez que os órgãos já estavam paralisando e ele já tinha dificuldade para andar.

Mesmo o seu corpo definhando, quando já tinha 38 quilos apesar dos seus cerca de 1,80m, a sua mente estava sã e lúcida. Em momento algum dessa doença cruel, que ceifa muitas vidas de qualquer idade, religião e cor, Déda perdeu a lucidez. Tanto é que chegou a dizer a família como gostaria que fosse o seu velório e que não queria ser sepultado, mas cremado.

Com o agravamento do seu estado de saúde, Déda também decidiu que não queria mais fazer quimioterapia e ser levado para a UTI. Preferia passar os últimos momentos que Deus reservou para ele com a família.

Assim foi feito e no último sábado, 30, agravou-se ainda mais o seu estado de saúde. Pela manhã, já esperava-se o falecimento de Déda até esse domingo. À tarde isso já era comentado nas redes sociais. Com a autorização da família, o Sírio-Libanês divulgou um boletim médico, às 18h50, hora local, dizendo que o estado de saúde do governador apresentava piora progressiva em seu quadro clínico, o estado era grave, que ele estava medicado e em companhia de sua família.

No domingo pela manhã, Déda já não conversava, apenas respondia a estímulos. À tarde perdeu a consciência, com a paralisação de vários outros órgãos. Funcionava apenas o coração e o celebro. Às 4h45, horário local, o grande guerreiro Marcelo Déda, de apenas 53 anos, foi, finalmente, vencido por um câncer devastador que lutava desde setembro de 2011, quando foi diagnosticado a doença após se sentir mal quando fazia campanha no interior do Estado para candidatos a prefeitos aliados.

Logo em seguida, a família postou uma mensagem no Twitter do governador. "O céu acaba de ganhar mais uma estrela. Marcelo Déda voou ‘nas asas da quimera’. Paz e bem".
Com a sua partida precoce, não é somente Sergipe que perde um grande governador e um líder político, mas o Brasil, que deixa de ter um político brilhante, estadista, republicano, honrado e um grande orador. A prova disso é que toda a imprensa nacional noticiou ontem, com grande destaque, o seu falecimento, e a presidente Dilma Rousseff cancelou a sua agenda e veio a Sergipe para o seu velório, além do ex-presidente Lula, ministros, governadores e prefeitos de outros estados.

Morre o homem Marcelo Déda, um dos maiores quadros nacional do PT ( partido que ajudou a fundar no país há 33 anos), mas fica a sua história. A história de um brilhante deputado estadual, deputado federal, prefeito de Aracaju e governador de Sergipe sempre preocupado com a ética, honestidade e o bem estar do seu povo.

Déda deixa como legado a marca da coerência, honestidade, ética, correção, honradez e seu ideal pela democracia. Por conta disso, a sua estrela vai continuar brilhando lá em cima, no céu!
O governador Marcelo Déda Chagas, natural de Simão Dias, é um exemplo que devia ser seguido pela classe política brasileira…

A chegada
O corpo do governador Marcelo Déda (PT) chegou às 16h30 no aeroporto Santa Maria, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Fizeram essa penúltima viagem com ele a primeira-dama Eliane Aquino, os cinco filhos (sendo três do primeiro casamento e dois do seu segundo casamento), e os amigos: o ex-senador José Eduardo Dutra e o secretário de Governo Pedro Lopes.

Homenagem
Foram a pista do aeroporto receber a família e o corpo, o governador Jackson Barreto (PMDB), o vice-prefeito José Carlos Machado (PSDB), vários secretários de Estado, deputados federais, deputados estaduais, vereadores, prefeitos do interior, familiares e amigos próximos. Também presentes os governadores Jaques Wagner (PMDB/BA) e Cid Gomes (PROS/CE), e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.  

O trajeto 1
O caixão com o corpo de Marcelo Déda foi retirado do avião com honras de Estado e conduzido até o carro aberto dos Bombeiros. A bandeira de Sergipe foi colocada sobre o seu caixão e logo após o veículo saiu levando o corpo do governador na companhia de Eliane Aquino, os filhos menores João Marcelo e Matheus, Jackson Barreto e José Eduardo Dutra.

O trajeto 2
Centenas de carros com faróis acesos acompanharam o cortejo, que seguiu pela Av. Beira Mar para o primeiro andar do Palácio Museu Olímpio Campos, com uma multidão nas calçadas olhando e aplaudindo o grande guerreiro. Por volta das 18h, o corpo chegou no Palácio, onde foi celebrada a missa de corpo presente pelo arcebispo Dom Palmeira Lessa e em seguida iniciado o velório apenas para familiares, amigos e autoridades.

Dilma 1
A presidente Dilma Rousseff chegou a Sergipe às 17h45, em um avião da FAB, seguindo direto para o Palácio Museu Olímpio Campos. Dilma, que sempre se referiu ao governador como "Dedinha", um "grande poeta" e um "grande orador", quando vinha a Sergipe inaugurar obras dizia em seus discursos que era muito difícil falar depois dele por essas suas qualidades.

Dilma 2
Dilma, inclusive, visitou no Sírio-Libanês e publicou nota de pesar pelo seu falecimento. "Como prefeito, deputado e governador, Marcelo Déda exerceu a política com P maiúsculo". Ela afirmou ainda que o governador era amigo das "horas boas e más" e que sua trajetória "foi marcada pela dedicação em transformar para melhor a vida das pessoas, especialmente as mais humildes". No Twitter, a presidente chegou a dizer que "O Brasil e o Estado de Sergipe perderam um grande homem".

Lula 1
O ex-presidente Lula, que veio no início da noite a Sergipe na companhia do ministro da Educação, Aloízio Mercadante, e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), também divulgou comunicado em que diz que "Déda foi um exemplo de dignidade e compromisso público na atividade política". Também elogia sua trajetória: "brilhante como representante do povo na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados, como prefeito de Aracaju e finalmente como governador de Sergipe, sempre com sua atenção voltada aos mais pobres e ao desenvolvimento do seu Estado". E finaliza dizendo ter perdido "um grande amigo, compadre e irmão".

Lula 2
No velório, o ex-presidente disse à imprensa que o momento mais apreensivo da doença de Déda foi quando ouviu da equipe médica que o assistia, a mesma que cuidou dele quando foi acometido por um câncer de laringe, que a situação era de "extrema gravidade" e o câncer era forte. "Foi muito difícil saber que o seu tempo era curto. Não podia passar essa informação para Déda", confessou Lula, que o visitou várias vezes no Sírio Libanês.  

Eliane
A primeira-dama Eliane Aquino emocionou a todos ontem, no velório, quando disse que o que mais marcou esse último ano em que praticamente morou no Hospital Sírio-Libanês, foi um dia em que Déda estava calado e pensativo e ela perguntou o que passava na sua cabeça. E ele disse que estava pensando como seria o seu velório e como gostaria que fosse feito. Eliane afirmou que ficou "chocada" com aquela declaração.

Roda viva
No gabinete do governo, no Palácio Museu Olímpio Campos, se reuniram ontem à noite Dilma, Lula, Jackson e ministros. Conversaram sobre as ações do grande político Marcelo Déda e a grande perda para o Brasil. As ilustres autoridades retornaram ontem mesmo aos seus destinos.

Jackson
Muito abalado com a morte do governador Déda, Jackson Barreto disse ontem que assumirá o compromisso que ele pediu na última vez que o viu, quando pegou nas suas mãos e disse que continuasse levando as "nossas obras". JB lembrou que em seus discursos, Déda sempre dizia que o Estado era conduzido a "quatro mãos" (as deles e as suas). "Agora vou trabalhar com duas mãos. Esse é o meu compromisso".

Falcão
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou ontem no final da noite para prestar a última homenagem ao companheiro petista Déda. Chegou acompanhado do futuro presidente estadual do PT, deputado federal Rogério Carvalho.

Curtas
Vários governadores e prefeitos de Sergipe e de todo o país são esperados hoje no velório do governador Déda. Assim como comitivas de todo o interior do Estado, trazidas por gestores municipais que como o governador Jackson Barreto, decretou luto oficial e ponto facultativo nas repartições públicas ontem e hoje.

Políticos divulgaram ontem nota de pesar e de reconhecimento ao grande político Déda, a exemplo dos governadores Geraldo Alckmin (PSDB/SP), Eduardo Campos (PSB/PE) e Jaques Wagner (PT/BA); o prefeito Fernando Haddad (PT/SP); o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL); o presidente nacional do PT, Rui Falcão; e o ministro Aldo Rebelo.

A bancada do PT na Câmara também divulgou nota em que lamenta morte prematura do colega de partido. Em homenagem ao governador, a Câmara dos Deputados fez o um minuto de silêncio no início da sessão.
O Unicef também fez uma nota em homenagem ao político, dizendo que ele "sempre esteve comprometido com a promoção e proteção integral dos direitos da infância e da adolescência, mobilizando todo o seu governo em favor de políticas de inclusão social e redução das desigualdades".

Políticos sergipanos também saíram com nota de pesar, a exemplo do prefeito João Alves (DEM), que se encontra em missão oficial na Alemanha; do ex-governador Albano Franco; e da presidente da Assembleia, Angélica Guimarães (PSC).

O comércio fechará suas portas às 14h de hoje, em homenagem ao governador Déda.

O corpo do governador será velado até por volta das 17h de hoje, sendo realizado um culto ecumênico às 14h. Depois seguirá para Salvador, onde será cremado.

As suas cinzas devem ser jogadas no Parque da Sementeira e no Rio Sergipe.

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