Prof.Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Se havia uma efeméride que não poderia passar em branco neste Carnaval, para além das homenagens póstumas e justas a Moraes Moreira, o Centenário de Nascimento um dos fundadores do trio elétrico é, sem pestanejar, a que merece todas as atenções possíveis. Osmar Álvares de Macêdo segue vivo não somente na memória momesca de Salvador, mas também na música trieletrizada do Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar, bem como naquilo que representa de mais genial e criativo do carnaval baiano dos últimos setenta e três anos.
Natural da Ribeira, em Salvador, aos 22 de março de 1923, Osmar Álvares de Macedo tem raízes sergipanas, descendente direto de Osmundo Tolentino Alvares, natural do povoado Santo Antônio, em Lagarto, que se casou com Honorina Cunha Alvares, em 28 de maio de 1892, em Cachoeira de São Felix, Bahia. Entre os rebentos do casal, Lydia Alvares, que veio a ser a mãe de Osmar, com Alberto de Macêdo, seu pai.
Praticamente criado com as três tias por parte de mãe, Osmar teve contato com a música em tenra idade, apreciando instrumentos como bandolins, violões, violino e piano, às voltas com seu irmão mais velho. Foi influenciado, diretamente, pelo músico brasileiro, Aníbal Augusto Sardinha, Garoto (1915-1955) e também pelos ritmos pernambucanos, a exemplo do Frevo. Não demorou muito para tocar, também, com maestria e com estilo próprios.
Mas, antes de ser consagrado pelo talento musical, Osmar Macêdo construiu um currículo notável no campo da engenharia e da inventividade, tendo sido: professor de mecânica e instrutor de máquinas operatrizes no SENAI, entre 1945 e 1948; Gerente da Fábrica de Elevadores Amôedo (Salvador-BA), em 1949; fundador da Metalúrgica Serrador Ltda (1950-60), prestando serviços para empresas como a Construtora Odebrecht, na Bahia e fora do Estado, e à Rede Ferroviária de Sorocaba-SP; fundou, ainda, a Companhia Industrial Metalúrgica da Bahia (CIMBA, 1962-63, tendo sido seu primeiro Diretor Industrial), entre outros empreendimentos.
Toda essa bagagem inicial, lhe permitiu entre as décadas de 60 e princípio de 90, assinar, ser responsável ou estar envolvido em grandes obras, na Bahia, em outras partes do Brasil e até mesmo, no exterior, a exemplo do Metrô de Miaimi, onde, juntamente com os engenheiros Guilherme Azevedo (Odebrecht) e Pedro Mosca, projetou fôrmas de madeira e escoramento metálico de precisão milimétrica para concretagem da pista de rolamento de carros. Só para citar uma das muitas obras em que esteve diretamente presente e contribuindo com seu conhecimento técnico.
A partir dos anos 40, formou com Adolfo Antônio do Nascimento (Dodô) uma parceria musical que marcou a história da Bahia. Em 1942, foram responsáveis pela criação do pau elétrico, depois rebatizadopor Guitarra Baiana; e em 1950, com a Fobica, inventaram o trio elétrico, que fez escola no Estado e no Brasil, cabendo aos seus descendentes, sobretudo aos filhos mais velhos de Osmar (Alberto, Armandinho, Aroldo e André) firmarem e sacramentarem o nome da dupla no Carnaval baiano, com a criação do Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar, ainda em plena atividade, e com projetos importantes a exemplo dos Irmãos Macêdo e da Escola Musical Irmãos Macêdo.
Osmar Macêdo faleceu em Salvador-BA, no dia 30 de junho de 1997, aos 74 anos. Seu nome está eternizado não somente na história, mas, sobretudo, no repertório do Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar, de outros artistas e grupos, e também nos lugares de memória e da folia soteropolitano, a exemplo do Circuito Osmar (Campo Grande). Entre as inúmeras canções, destacoum trecho de uma composição de Moraes Moreira, que diz: “Por tudo aquilo que é / Sua vida, seu trio, sua arca / Salve o nosso patriarca / Osmar, nosso Grande Noé” (CD Filhos da Alegria, 1996).


