Kátia Azevedo
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A comunidade do bairro Industrial, localizado na zona norte de Aracaju, comemora neste domingo, 13, 93 anos de existência. Berço importante da história da classe operária e da cultura do povo sergipano, o lugar possui atualmente 57 mil habitantes, mais de 230 logradouros, onde estão residências e condomínios.
O bairro concentra importante riqueza cultural e fatos marcantes no cenário da capital sergipana. A festa de aniversário acontecerá durante todo o dia, iniciando com uma missa de alvorada festiva na antiga rua do Bode, hoje travessa Altamira. Os moradores vão comemorar com o bolo de dois metros, atividades recreativas, esportivas, culturais, queima de fogos e show dos pilotos de whelling.
Além da torcida proletária do Confiança e do estádio João Sabino Ribeiro, o bairro histórico abriga o Parque da Cidade, as chaminés das indústrias de tecido, o Moinho de Sergipe, a prainha do rio Sergipe e o tradicional Colégio estadual Castelo Branco.
O bairro Industrial foi criado pela lei municipal 250 de 13 de janeiro de 1920, pelo intendente Antônio Baptista Bitencourt. O local se tornou com o tempo cenário turístico. A beleza das suas paisagens naturais (é o único local em Aracaju com reserva da Mata Atlântica), atrai turistas e sergipanos.
É no bairro Industrial onde se tem uma privilegiada vista do rio Sergipe e da ponte Construtor João Alves. É ali também onde fica a Orlinha e o Parque da Cidade, com teleférico e zoológico.
O teleférico funciona desde 2006 no Parque José Rollemberg Leite, também conhecido como Parque da Cidade, e tem atraído cada vez mais turistas que buscam programas diferenciados. O parque proporciona lazer para crianças e adultos que podem desfrutar de um zoológico e mata atlântica com entrada franca.
Todos esses locais e personalidades enobrecem a história do bairro Industrial, marco também da luta operária que enche de orgulho os moradores. Operários e pescadores constituíram família no local e várias gerações mantêm a tradição de permanecerem no bairro.
Condomínios – Das antigas chaminés das fábricas que deram o nome ao bairro, o futuro caminha para a verticalização dos primeiros condomínios de prédios, com a chegada da ponte Construtor João Alves, que liga Aracaju à Barra dos Coqueiros.
Sua mais famosa rua, a de São João, é também orgulho para a comunidade, que cobra mais atenção do poder público na preservação do local. Para os moradores, faltam projetos que elevem um bairro como uma atração turística.
"O Governo do Estado poderia implantar na localidade uma subcoordenação da Companhia de Turismo, como tem na orla da praia de Atalaia", propõe Marcos dos Anjos, presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Bairro Industrial.
Mas não é somente o turismo que os moradores querem que o poder público dê uma atenção especial. O acesso a serviços é outra reinvindicação da comunidade.
Marcos dos Anjos destaca a importância de ações de segurança. Ele lembra que hoje o bairro Industrial enfrenta uma onda de insegurança gerada pelo aumento populacional de bairros vizinhos e que é necessário maior presença da polícia.
Em relação ao acesso a serviços de transporte público no bairro, Marcos dos Anjos menciona a necessidade de mudança no tráfego da linha Santa Maria/Mercado. "Há uma reivindicação antiga dos moradores para mudança no itinerário. Pedimos que esta linha faça um percurso dentro do bairro Industrial, melhorando o acesso de turistas pela Orlinha e da comunidade", sugere.
Hoje, o bairro conta com as linhas Marcos Freire, Fernando Collor e Piabeta, mas poderia ter uma linha bate e volta bairro Industrial via Orlinha.
Sobre a visibilidade turística no local, Marcos dos Anjos também faz críticas. "Não há uma política de incentivo promocional de divulgação, nem inclusão do bairro no roteiro oficial do turismo. Se fala muito do bairro, mas não está no roteiro oficial. Falta sinalização turística e seria importante que tivesse um projeto para esportes náuticos, turismo ecológico no Parque da Cidade. Há uma enorme carência de investimento numa área completamente voltada para o turismo", avalia.
Manifestações culturais – O bairro também é berço de importantes tradições populares como as manifestações culturais e religiosas, a exemplo da festa do Bom Jesus dos Navegantes e a Festa de Santa Bárbara/Iansã.
Manifestações que representam a devoção e sincretismo religioso que marcam a presença de pescadores e da cultura afro-brasileira na construção do local.
O exemplo da grande presença da comunidade pesqueira no bairro é a Igreja de São Pedro Pescador, que todos os anos saúda os pescadores, já que o bairro está à margem do rio Sergipe. Desse rio diversos moradores retiram o sustendo.


