Ossos do ofício. É hora de ouvir um disco ruim. Um disco muito ruim. Para um cara nublado como eu, arrancar o invólucro de plástico que preservava os ouvidos inocentes de um trabalho que se apresenta sob o epíteto de "Rock Praia" exigiu um esforço descomunal, mas todo trampo possui os seus dias difíceis.
É certo que há quem se satisfaça com os riffs d’Alapada, o timbre MTV emulado pelo guitarrista Evandro Schiruder e a dedicação com que a banda reproduz os dogmas de uma indústria decadente, apostando todas as fichas na diluição da linguagem. Não é o meu caso, brodagem tem limite.
Alapada encarna o antípoda de todas as virtudes que permeiam a música produzida sob o céu azul de Aracaju. No registro em questão, contudo, a coerência dos valentes. Os caras não desviam nem por um segundo de seu maior propósito: se adequar a tudo o que a convenção julga mais palatável. Nas 13 faixas do disco, no trabalho gráfico e, sobretudo, nas letras das canções, a evidência de que um mergulho em águas profundas não está entre as pretensões da banda. Devotados a tudo o que é raso e plácido, eles não se arriscam nunca. Afinal, o mar não está pra peixe.
Escute uma faixa de ‘Alapada Rock Praia’ (2011). Será como ter ouvido todas as outras. A competência dos músicos Jamessom Santana (baixo), Júlio Fonseca (bateria), o já citado Schiruder e até mesmo do vocalista Escalabre (que cumpre bem o papel a que se propõe); a produção cuidadosa do disco (é preciso reconhecer) é sabotada pela ausência do que, no julgamento dos puristas, sustenta qualquer canção. Sem uma composição decente, meus amigos, não tem instrumentista que dê jeito.


