Rogério não descarta a possibilidade de uma aliança com o governador Fábio Mitidieri (PSD), mas ressalta a condição de apoio a Lula como fundamental
A reeleição do presidente Lula será a prioridade máxima do PT nas eleições de 2026. A informação é do senador Rogério Carvalho, líder da bancada do partido, durante encontro com jornalistas.
Candidato à reeleição, Rogério não descarta a possibilidade de uma aliança com o governador Fábio Mitidieri (PSD), mas ressalta a condição de apoio a Lula como fundamental. Disse que a definição vai ocorrer em meados de março.
Nas eleições de 2022, quando o senador disputou o governo e chegou a vencer no primeiro turno, os dois travaram uma batalha judicial para ver quem podia pedir votos para o presidente. A justiça entendeu que Mitidieri tentava confundir o eleitorado ao vincular sua candidatura a Lula, que é do partido de Rogério, e impediu o uso de sua imagem pelo atual governador.
O ex-ministro Márcio Macêdo, que será candidato a deputado federal, defende abertamente uma aliança formal do PT com o PSD, alegando que isso favoreceria a candidatura de Lula. O senador não descarta a possibilidade, mas foi a primeira vez que ele admitiu que isso pode vir a ocorrer.
No Congresso, Rogério sempre agiu em defesa dos interesses do estado, mesmo quando os projetos favorecem diretamente o governador. No último mês de agosto, um parecer favorável de sua autoria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) a pedido de empréstimo do governo Fábio Mitidieri (PSD) no valor de US$ 53,6 milhões junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), com garantia da União, já havia chamado a atenção sobre um possível acordo entre o PT e o governador para as eleições de 2026. Os recursos vão financiar o programa Sergipe Digital, Conectado e Sustentável (Conecta-se), que busca ampliar o acesso à internet, modernizar serviços públicos e incentivar soluções de energia limpa.
A possibilidade de o PT marchar com Mitidieri em 2026 vai de encontro a resolução política do Diretório Estadual do PT aprovada, por unanimidade, pela Comissão Executiva e o Diretório Estadual do Partido no encontro realizado no dia 14 de dezembro de 2024. O documento mostra a necessidade da busca da retomada da unidade interna, para que o partido retome “o seu papel como protagonista da luta social, articulando os diversos movimentos populares presentes na sociedade e fazendo a defesa de suas pautas”.
Controlado por Rogério e o deputado federal João Daniel, o PT sergipano defende – ou defendia? – uma postura de oposição ao governo Fábio Mitidieri (PSD) e a administração de Emília Correia (PL) na Prefeitura de Aracaju. Além da reeleição do presidente Lula, o partido faz questão de alertar para a linha política: “Todas as candidaturas do PT de Sergipe em 2026 serão de combate aos projetos neoliberais e da extrema direita”.
O senador Rogério Carvalho, hoje presidente estadual do PT, já admite a possibilidade de aliança. Basta mudar a resolução e aprovar a aliança em convenção.
Pintura sobre tela de Rita RibeiroPT vai lançar campanha “#VetaLula” contra a Dosimetria
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu lançar uma campanha nas redes sociais em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da possibilidade de veto ao projeto de lei que altera regras da dosimetria das penas. A iniciativa busca sustentar politicamente a posição do governo federal e ampliar o debate público em torno do tema, que ganhou força após a recente aprovação da proposta pelo Senado.
A campanha foi definida pela área de comunicação do partido poucas horas depois da votação no Senado, realizada na quarta-feira (17). A ação digital utilizará a hashtag #VetaLula e tem como eixo central a mensagem “Impunidade para bandido, não”, reforçando o argumento de que o projeto pode fragilizar o combate ao crime.
A movimentação do PT não se restringe à disputa imediata em torno da sanção presidencial. A estratégia faz parte de um plano mais amplo de comunicação e mobilização política, com o objetivo de manter o tema em evidência ao longo do próximo período e projetar o debate para o ano eleitoral de 2026.
Na votação do PL da Dosimetria, da bancada sergipana, apenas Rogério Carvalho foi contra o projeto. Alessandro Vieira (MDB) e Laércio Oliveira (PP) votaram a favor.
Surpreendeu o voto de Vieira, que havia anunciado a apresentação de um relatório paralelo para combater a proposta. Teve que se justificar. Alessandro afirmou que a mudança de posição ocorreu após alterações feitas durante a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que restringiram o alcance do projeto exclusivamente aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, afastando o risco de efeitos sobre outros crimes. “O projeto foi corrigido. Ele não mais atinge outros crimes que não os do 8 de janeiro. Isso era fundamental”, afirmou.
O senador reconheceu, no entanto, que o texto mantém problemas, como a progressão acelerada de regime, mas avaliou que, diante do contexto, a aprovação representou um “mal menor”. “Existem centenas de brasileiros que foram julgados indevidamente, no foro inadequado, da forma inadequada, sem a defesa devida, com uma construção de pena que é de vingança e que desmoraliza a Justiça”, disse.
O senador Alessandro Vieira, na verdade, é mais um golpista com pose legalista.
Racismo estrutural
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de racismo estrutural no Brasil e a ocorrência de graves violações a preceitos fundamentais, ao concluir, na quinta-feira (18), o julgamento da ADPF 973.
A decisão determina que o poder público adote medidas para enfrentar o problema, como a revisão ou elaboração de um plano nacional de combate ao racismo estrutural, a reavaliação de políticas de acesso à educação e ao emprego, incluindo o sistema de cotas, e a criação de protocolos de atendimento à população negra por órgãos do Judiciário, Ministérios Públicos, Defensorias e forças policiais.
A ação foi ajuizada por sete partidos políticos, que pediam o reconhecimento da violação sistemática dos direitos da população negra. A maioria dos ministros acompanhou o voto do relator, Luiz Fux, que reconheceu o racismo estrutural, mas afastou o reconhecimento do estado de coisas inconstitucional, por entender que há medidas em curso para enfrentar o problema.
Volta da Petrobras
A Petrobras aprovou a Decisão Final de Investimento (FID) para o desenvolvimento do segundo módulo do projeto Sergipe Águas Profundas (Seap II), localizado na Bacia Sergipe-Alagoas.
O projeto Seap II contempla jazidas de óleo leve localizadas nos campos de Budião, Budião Noroeste e Budião Sudeste, a aproximadamente 80 quilômetros da costa. As áreas estão inseridas nas concessões BM-Seal-4, BM-Seal-4A e BM- Seal -10. A Petrobras opera a BM- Seal-4 com 75% de participação, em parceria com a ONGC Campos Limited (25%), e detém 100% das concessões BM- Seal-4A e BM- Seal-10.
A contratação da FPSO (Floating Production, Storage and Offloading) se dá no modelo BOT (Build, Operate and Transfer), com capacidade para produzir até 120 mil barris de óleo por dia e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. A expectativa é que a negociação seja concluída no primeiro semestre de 2026, garantindo o início da produção dentro do cronograma estabelecido no Plano de Negócios 2026-2030 da companhia.
Além do Seal II, a Petrobras também desenvolve o projeto Sergipe Águas Profundas Módulo 1 (Seal I), que inclui os campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste, Cavala e Palombeta, nas concessões BM- Seal-10 e BM- Seal-11. Neste caso, a estatal opera a BM- Seal-11 com 60% de participação, em parceria com a IBV Brasil Petróleo Ltda (40%), e mantém participação integral na BM-Seal-10.
A retomada dos investimentos da Petrobras no estado é fruto de uma mobilização de toda a classe política. O senador Rogério Carvalho, por exemplo, defende a reabertura da sede da empresa em Aracaju, na Rua Acre, e que daqui saiam as vendas de combustíveis e lubrificantes como ocorria até 2019, quando a estatal deixou o estado.
Cassações na Câmara
A deputada sergipana Delegada Katarin (PSD), terceira secretária da Câmara dos Deputados, votou a favor da cassação dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), determinada pela mesa diretora da casa. A decisão ocorreu após o término do prazo de defesa concedido aos parlamentares, encerrado na quarta-feira (17).
Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde março, teve o mandato cassado devido ao excesso de faltas às sessões da Câmara.
Já Alexandre Ramagem se refugiou nos EUA durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou em sua condenação à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado.
Chacina em Socorro
A deputada estadual Linda Brasil (Psol) condenou a ação policial realizada em Nossa Senhora do Socorro e que resultou nas mortes de cinco homens e em ferimentos de outros sete. “A Polícia Militar fala em confronto, mas não existe confronto quando só um lado morre. Isso tem nome: chacina, execução, extermínio”, entende a parlamentar.
Linda cobrou que o Ministério Público e os órgãos de controle externo da atividade policial atuem neste caso “de forma imediata, independente e rigorosa, garantindo investigação, transparência e responsabilização”. Para a deputada, “esse é o resultado de um modelo de segurança pública que escolhe eliminar vidas, principalmente da juventude negra da periferia”.
Com agências


