* Silvio Santos
Em anos de eleições é natural que nos meses que antecedem o pleito aumentem – proporcionalmente aos interesses em jogo – as especulações, balões de ensaio e cortinas de fumaça. Tudo isso faz parte do jogo político.
Ainda que tudo seja parte de um manual não escrito que orienta lideranças e forças políticas na disputa eleitoral, há de haver algum limite nas narrativas vesgas para que o eleitor veja de fato para onde os candidatos estão olhando e possa escolher aqueles que mirem no mesmo rumo do seu horizonte.
Vivemos uma quadra onde disputas eleitorais não significam somente alternância de poder entre esquerda e direita, progressistas e conservadores. Agora a contenda é entre civilização e barbárie. Num cenário desses, políticos, formadores de opinião, a cidadania, têm papel importante a cumprir na elucidação dos fatos, na clareza das intenções e na informação aos eleitores.
É nesse sentido que venho aqui, enquanto dirigente do Partido dos Trabalhadores em Sergipe, clarear para nossos eleitores, para os analistas, para toda a classe política e para a opinião pública, o que nos move nessa conjuntura.
Temos a responsabilidade e o orgulho de governar o Brasil pela quinta vez nos últimos vinte e três anos e os índices dessa nossa experiência mostram, em todos os mandatos, os resultados positivos de nossas políticas na economia, no social, na cultura, no meio ambiente e em tantas outras áreas, o que demonstra nosso compromisso com a nação brasileira e com o nosso povo.
Lula, o líder maior do nosso projeto, é reconhecido e respeitado mundialmente pela sua capacidade de diálogo e por sua firmeza de propósitos, elementos que se impõem quando se trata de defender nossa soberania. É por seus atributos como líder dessa dimensão e pelos efeitos práticos de seu governo no combate às desigualdades, à fome e à miséria e em prol da melhoria na qualidade de vida do nosso povo, que a prioridade absoluta do nosso partido em 2026 é a sua reeleição para presidente do Brasil.
Com base na experiência recente, entendemos que a reeleição de Lula, sem uma boa base de sustentação no Congresso, significará uma meia vitória, por isso, entendemos que tão importante quanto reeleger Lula é reelegermos Rogério Carvalho para o senado e ampliarmos nossa bancada na Câmara dos Deputados.
Vejo nas mídias todo tipo de especulação sobre possíveis alianças aqui em Sergipe para as próximas eleições. Primeiro precisamos entender que alianças políticas são naturais na democracia. Velhos e novos exemplos disso estão na história para quem quiser aprender. Nos idos de 1945 do século passado, o Partido Comunista de Luiz Carlos Prestes fez aliança estratégica com Getúlio Vargas, que poucos antes tinha sido seu algoz. O objetivo maior era nobre: derrotar o fascismo representado pelo movimento integralista, liderado por Plinio Salgado e que ganhava força no Brasil com os ventos soprados da Europa de Hitler e Mussolini, e cujo lema era “Deus, Pátria e Liberdade”. Qualquer semelhança daqueles tempos com os dias de hoje não será mera coincidência. Recentemente, uma aliança do socialista Seguro com a direita portuguesa derrotou os fascistas do Chega. Outro bom exemplo.
O PT de há muito entendeu que aliança política não se faz com iguais. Aliás, os iguais, em geral, não se encontram nem nos mesmos partidos. Mas o nosso partido compreendeu definitivamente que aliança política se faz numa base programática construída.
Ah, o PT pode se aliar ao PSD de Fabio Mitidieri? Claro que pode. Aliás, nem precisamos puxar muito pela memória para lembrarmos que até bem pouco tempo, o PSD sergipano, desde a sua fundação no final da primeira década dos anos 2000, era aliado do PT e vice e versa. Digo mais: aliado dos mais fiéis. O então deputado Luís Mitidieri compôs a base de apoio ao governo petista de Déda até o final. Mesmo quando em 2011, alguns aliados deram as costas ao petista o atual Chefe da Casa Civil do governo Fábio ficou com Déda.
Em 2016 quando muitos aliados fingiam não conhecer Dilma e viravam a cara quando viam Lula, alguns até votando pelo impeachment da Presidenta, era o deputado Fábio Mitidieri quem estava lá votando contra o golpe.
Isso quer dizer que achamos o governo de Fabio uma maravilha? Não. Temos críticas sim. E muitas. A política de privatizações, o tratamento dado aos servidores públicos, especialmente aos professores é uma lástima. Mas é possível reconstruir essa política.
Importante entender que Fábio emitiu um sinal importante: vai apoiar a reeleição de Lula, e isso já nos aproxima naturalmente. Mas uma possível aliança entre nós exigirá mais do que uma boa relação no passado e interesses meramente eleitorais. É imperativo construirmos um programa comum que dialogue com as pautas da nossa base social e a traga para a arena da luta contra o atraso e contra a barbárie, além da construção de uma chapa que tenha comprometimento e seja a cara desse programa.
*Silvio Santos é jornalista e secretário Geral do PT Sergipe


