OAB critica Estado pelo aumento da violência

No reboque das manifestações causadas pelo assassinato do cobrador de ônibus David Jonhatan Barbosa, na última quarta-feira, a Seccional Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), pretende fazer uma audiência pública na próxima semana para discutir propostas de políticas públicas que ajudem a frear o aumento da criminalidade no Estado. Esta ideia foi anunciada ontem, em uma entrevista coletiva convocada pelo presidente da entidade, Henri Clay Andrade. Na ocasião, ele estava acompanhado de integrantes da Comissão de Direitos Humanos do órgão, os quais fizeram questão de prestar solidariedade à família do cobrador morto.

Na visão do presidente, o crime contra o cobrador mostra a ineficiência, a omissão e a indiferença do poder público nas políticas públicas de segurança de Sergipe. "A violência cresce a passos largos no Estado e o governo se releva ineficiente, sem qualquer política preventiva de segurança. Apenas prender os criminosos não é solução. Nem anunciar confrontos com bandidos. A preservação da vida deve ser a prioridade máxima. Não dá mais para suportar a indiferença e a ineficiência do governo nas políticas de segurança. O governo precisa investir em uma segurança feita com dados e inteligência", afirmou Clay, questionando a falta de um pronunciamento público do governador Jackson Barreto (PMDB) sobre o assunto.

Apesar desta posição, o representante da OAB se manifestou contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, muito citada pelos comentários da população e de policiais durante o dia de ontem. Para ele, a proposta é um "erro" que não ataca as reais causas do envolvimento dos jovens com a criminalidade. "Não vamos cair na cilada e tangenciar o que está posto: todos os setores e níveis econômicos estão apavorados com a violência e não há estrutura do Estado para cumprir a lei", disse Henri Clay, anunciando que a entidade vai buscar todos os segmentos da sociedade para ouvir opiniões e sugestões.

SSP rebate – A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi polida ao comentar as críticas do presidente da OAB. O delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira, disse que a população tem o direito de cobrar da polícia, mas precisa conhecer melhor os dados e a atual realidade do trabalho desenvolvido pelos órgãos de segurança. "Tenho certeza de que o doutor Henri Clay é uma pessoa responsável, que tem o objetivo de colaborar com a sociedade. Mas nós temos clareza do que estamos fazendo. Nós temos dificuldades, falta efetivo, mas estamos trabalhando com planejamento, integração e inteligência, baseados na realidade, e os resultados começaram a aparecer. Na medida em que as pessoas conhecem essa atual realidade, algumas opiniões podem mudar", responde Alessandro.

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