O acidente ocorrido na noite desta sexta-feira em Patioba, povoado entre Carmópolis e Japaratuba, faz lembrar um antigo problema que atormenta passageiros e moradores das cidades às margens da BR-101: a demora nas obras de duplicação da rodovia. Em toda a sua extensão por Sergipe, as obras começaram em 1994 e, até o momento, tem alguns trechos ainda não concluídos. Este atraso é atribuído a uma série de fatores, que vão da falta de recursos do governo federal a erros na execução do projeto e desinteresse das empreiteiras.
A área considerada mais crítica vai do quilômetro 0, na ponte entre Propriá (SE) e Porto Real do Colégio (AL), até o quilômetro 77,1, em Maruim (Vale do Cotinguiba), cujas obras estavam paradas desde junho de 2015. Em seu serviço de monitoramento das condições das rodovias, o próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) colocou este trecho da 101 em sinal vermelho, com alto risco de acidentes e que recomenda cuidado aos motoristas. Na maior parte deste trecho, inclusive no quilômetro 52,5 (onde aconteceu o acidente de sexta), o tráfego de veículos é em pista única, não há acostamentos e as sinalizações horizontais (placas) e verticais (faixas e ‘olhos-de-gato’) encontra-se “em estado precário”.
“Muitos segmentos em pista simples sem acostamento do lado direito (sentido crescente) e alguns pontos sem acostamento nos dois lados. Há, também, locais com acostamento danificado. O segmento em questão apresenta ‘panelas’ (buracos) e locais com trincas na pista. O condutor deve trafegar com cautela, reforçando ainda mais os cuidados em caso de chuvas.”, admite o departamento. A exceção se dá do quilômetro 40 a 42 e do 43 ao 51, nos quais o tráfego se dá em pista dupla.
São realizadas ainda duas operações de ‘pare-siga’ no Viaduto da RFFSA 2, em Cedro de São João (Baixo São Francisco), e na ponte sobre o Rio Lagartixo, em Capela (Leste), as quais passam por obras de reforma com conclusão prevista para este mês. Nestas operações, um sentido da pista tem a passagem bloqueada por 15 minutos para os veículos do sentido contrário, e vice-versa, provocando extensos e demorados congestionamentos. E existem desvios de tráfego nos quilômetros 31, 33, 39, 42, 43 e 51.
No último dia 7 de fevereiro, o presidente Michel Temer e o governador Jackson Barreto assinaram a autorização para a retomada da duplicação da BR-101 e a liberação de R$ 157 milhões em recursos, mas algumas licitações para a escolha das empresas responsáveis precisaram ser refeitas e o prazo de conclusão está agora previsto para o segundo semestre de 2018. A duplicação da BR-101 em Sergipe tem um total de 206,1 quilômetros de extensão, divididos em sete lotes e com custo geral de R$ 1,28 bilhão. (Gabriel Damásio)


