Obras de memorial não começam

Milton Alves Júnior

Há seis anos desativado, o prédio do antigo Terminal Hidroviário de Aracaju continua abandonado e servindo de abrigo para a prática de prostituição, paradeiro de meliantes e tráfico de entorpecentes. Após a inauguração da ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros, o Governo do Estado de Sergipe chegou a anunciar algumas futuras instalações, a exemplo de um departamento policial, onde iria proporcionar uma segurança mais ostensiva para comerciantes e clientes do Centro. O último anúncio feito foi no dia 23 de agosto de 2012 quando o governo mudou parcialmente o projeto, e através da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), anunciou a construção de um memorial em homenagem ao lendário Zé Peixe.

Cobrando da administração estadual agilidade na reforma do local, o vendedor Lucas Vasconcelos do Nascimento afirmou que atualmente as pessoas transitam com medo pela localidade. Para ele, em decorrência da vulnerabilidade em serem furtados, os populares cada vez mais imploram por um maior efetivo policial. "Por duas vezes eu mesmo já presenciei a ação de trombadinhas que roubam, principalmente mulheres, e saem correndo para esse espaço. Como existe essa fragilidade da polícia, muitas vezes os agentes vão até o local e não encontram nem o produto furtado, muito menos o assaltante", disse.

No segundo semestre do ano passado, assim que a reforma foi anunciada pelo governo, dezenas de tapumes foram instalados. Com o atraso da obra e ações da natureza, as placas de madeira acabaram se soltando e permitindo um acesso ainda mais fácil para os ocupantes. De acordo com Renata da Fonseca, a falta de políticas públicas permite que ações inconstitucionais sejam realizadas. "Sou cliente há mais de cinco anos desse posto de gasolina e toda vez que venho morro de medo de ser abordada por um desses invasores. Já vi atividades suspeitas, mas como tenho medo preferi não denunciar", afirmou.

Esse é o caso dos frentistas que trabalham no estabelecimento. Segundo um funcionário que preferiu não se identificar, com receio de ser perseguido, até o momento nunca presenciou uma tentativa de roubo no posto, porém já acompanhou de longe uma perseguição envolvendo policiais e suspeitos. "Não só eu, mas todos aqui têm medo desse movimento. Quando disseram que iriam reformar e transformar em um memorial, ficamos todos muito contentes, mas como dá pra perceber, até o presente momento nenhuma melhoria foi realizada", declarou. Para aperfeiçoar a segurança do posto, a direção promoveu a instalação de novas câmeras e contratou uma empresa especializada em vigilância 24h.

Seinfra – Em nota oficial emitida na tarde de ontem para o JORNAL DO DIA, o secretário de Estado da Infraestrutura, Valmor Barbosa, informou que no início dessa semana já houve uma reunião técnica para debater o início imediato das obras. Segundo o administrador, a licitação para escolha da empresa que realizará a reforma já foi promovida e a obra depende apenas da liberação de verbas a ser aprovada pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). A expectativa é que essa liberação seja protocolada em 15 dias, e as obras sejam iniciadas já no início do próximo mês. Além de representantes da Seinfra, especialistas da Cehop – Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas -, também debateram o início da reforma.

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