OFENÍSIA FREIRE RECEBE HOMENAGENS

A história de Ofenísia Soares Freire inspira e orgulha Sergipe, uma mulher de ideias e ações à frente do seu tempo, mestra, militante política, escritora e acima de tudo um exemplo, que inspirou – e continua inspirando – várias gerações sergipanas, sobretudo aqueles que foram alunos do Colégio Atheneu Sergipense, onde a professora lecionou por muitos anos.

Por reconhecer a importância de Ofenísia Freire, seja como educadora ou como expoente intelectual e político, o Governo do Estado realizou na tarde desta quarta-feira, 8, uma programação voltada a homenagear o centenário da mestra, que, caso estivesse viva,  teria completado 100 anos no último dia 6 de dezembro. O governador de Sergipe, Jackson Barreto, idealizador das homenagens, e ex-aluno da professora, disse se sentir honrado em poder prestar tais homenagens à intelectual.
"Quis o destino, com essas coisas que preparam para a vida da gente, que eu fosse governador do Estado no ano do centenário de Ofenísia, um ex-aluno, admirador e amigo daquela velha companheira da Rua de Boquim, nº 457. Ofenísia representa a história das mulheres sergipanas, das guerreiras deste estado, como professora, intelectual e militante política. Era uma mulher tão corajosa, que no processo de redemocratização do Brasil, após a ditadura de Vargas, foi candidata a deputada estadual pelo Partido Comunista Brasileiro. Uma mulher antenada, à frente do seu tempo", afirmou Jackson, durante a solenidade de descerramento de placa em homenagem a Ofenísia Freire, no Colégio Atheneu, acompanhado de ex e atuais alunos da instituição de ensino, antigos colegas de profissão e familiares da professora, autoridades do Estado e admiradores de Ofenísia.
O governador salientou ainda, que as homenagens não ocorreram na data adequada, 6 de dezembro de 2013, devido ao falecimento de Marcelo Déda à época.

Emocionado, o filho da homenageada, Ivan Freire, mal conseguia expressar por palavras a felicidade em presenciar a dedicação do Estado em reconhecer e homenagear sua mãe. "Quero agradecer esse presente maravilhoso ao comemorarmos o centenário da minha mãe. Meu coração está emocionado, porque tem 7 anos que minha mãe faleceu e vocês não esqueceram dela nesta data e trazem estas belas lembranças em forma de homenagens".

Após a homenagem no Atheneu, todos se dirigiram à Academia Sergipana de Letras, para a solenidade de inauguração do busto em homenagem à professora. A iniciativa da confecção da placa e busto homenageando a Ofenísia Freire foi do Governo do Estado de Sergipe. A placa foi confeccionada pelo artista Leonardo Leal Santana e mede 70 cm (altura) por 80 cm (largura). Também confeccionado pelo mesmo artista, o busto conta com 65 cm de altura por 40 cm de largura e fica sobre pedestal em granito com 1,05 cm de altura.

Ofenísia Freire ocupou a cadeira nº 16 da Academia Sergipana de Letras. Ana Medina, sucessora da cadeira destacou a postura vanguardista da professora. "A intelectual, a literata, integrante dos conselhos de Educação e Cultura, jornalista, pianista, oradora, acadêmica, mestra de tantas gerações, mulher engajada nos movimentos políticos, qual o melhor poder para distingui-la?", indagou a acadêmica ao listar as multifacetas de Ofenísia.

A homenageada – Ofenísia Soares Freire nasceu em 06 de dezembro de 1913, em Estância. Mudou-se para Aracaju nos anos 1930 e, a partir daí construiu uma biografia como professora, militante política e intelectual. Lecionou Língua Portuguesa e Literatura em colégios públicos e particulares, a exemplo do Atheneu e do Tobias Barreto.

Casada com Filemon Franco Freire, funcionário público, Diretor do Tesouro do Estado no Governo de Seixas Dória, Ofenísia Freire alternou as atividades do magistério com a militância política. Filiada ao PCB, engajada no processo de redemocratização do País, candidatou-se em 1947 a deputado estadual. Com o PCB proscrito e seus militantes na clandestinidade, Ofenísia Freire voltou-se à cátedra.
À época do movimento militar de 1964, Ofenísia integrava o Conselho Estadual de Educação, quando teve seu mandato extinto e foi afastada do magistério do Atheneu.

Já aposentada e viúva, passou a dedicar-se a atividades intelectuais, tomando parte em conferências e debates e integrando instituições culturais, como a Academia Sergipana de Letras, para a qual foi eleita em 1980, na vaga do poeta Abelardo Romero. Também em 1980 publicou seu livro A Presença feminina em Os Lusíadas (reeditado pela Edise/Segrase em 2013). Foi membro do Conselho Estadual de Cultura, Secretária Municipal de Cultura, na gestão José Carlos Teixeira (1985), e Vice Presidente da Academia Sergipana de Letras. Faleceu em 24 de julho de 2007.

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