Oito jovens de classe média lideravam roubo de carros

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um grupo envolvido com pelo menos 17 crimes foi desarticulado pela Polícia Civil, que deflagrou, no último dia 27, a "Operação Playboys". Oito jovens de classe média, acusados de integrarem a quadrilha foram presos, depois de serem investigados durante três meses por policiais da 4ª Delegacia Metropolitana (4ª DM) e da Divisão de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), com apoio de outras seis delegacias e unidades. As buscas terminaram no último dia 3, com a prisão de um último foragido. A conclusão das investigações foi anunciada ontem, com a apresentação dos acusados à imprensa. Entre os crimes já desvendados, estão assaltos à mão armada, roubos de veículos, receptação e até uma dupla tentativa de homicídio. Foi confirmado ainda que seis veículos levados pela quadrilha foram recuperados.

De acordo com a polícia, o bando era liderado por Heraldo Reis de Alcântara Filho, 21, que era o principal planejador dos assaltos, e por Pedro de Andrade Paixão Júnior, o ‘Júnior Bomba’, apontado como fornecedor de carros e armas para os assaltos. De acordo com a delegada Mayra Moinhos Evangelista, da 4ª DM, que participou da operação, Pedro e Heraldo se conhecem desde o serviço militar, no Exército Brasileiro, de onde foram expulsos por transgressão disciplinar. Além deles, foram presos Joubert dos Santos Barros, Gustavo Rafael Fontes, Jadilson da Silva Rocha, Magno de Jesus Durval, o ‘Galego’, e Lucas Dantas de Oliveira Souza, o último a ser preso, em Tobias Barreto (Sul). O oitavo envolvido, Fagner Bastos Gonçalves, foi indiciado por receptar os produtos roubados pela quadrilha, mas vai responder ao processo em liberdade.
Segundo as investigações, o grupo agia principalmente no roubo de veículos, que eram levados na rua, tinham as placas trocadas por outras e depois revendidas a preços muito abaixo do mercado. "Eles não tinham o hábito de desmanchar o carro pra vender as peças. Todos os veículos eram roubados com a intenção de serem vendidos e, em alguns deles, observamos até que eram por encomenda. Eles [os presos] eram audaciosos, clonavam as placas e andavam pela cidade com esses veículos que tinham as placas trocadas, até que eles encontrassem um comprador", revela Mayra.

Um exemplo foi o caso de uma caminhonete Hilux prata que foi roubada em Ribeirópolis (Agreste), e passou um tempo sendo dirigida por dois integrantes da quadrilha. Segundo as investigações, o veículo foi oferecido a um cliente pelo preço de R$ 4 mil – no mercado legal, uma Hilux custa entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. O negócio, no entanto, não se concretizou, pois os investigados abandonaram a caminhonete depois de escaparem de uma perseguição da polícia. "Se confirma que, hoje, o crime compensa financeiramente. O sujeito oferece uma Hilux por esse preço de R$ 4 mil, exatamente porque não teve nenhum custo na sua aquisição", comenta o delegado-geral de Polícia, Everton Santos.

O trabalho da polícia no caso começou em fevereiro deste ano, depois que uma residência foi assaltada por quatro homens armados no bairro Farolândia (zona sul de Aracaju). Na ocasião, crianças e adolescentes que estavam na casa foram rendidas, amarradas e trancadas em um quarto por dois dos bandidos. De acordo com a delegada, Joubert e Gustavo foram os homens que entraram e roubaram vários objetos e bens da casa, enquanto Heraldo e Pedro Júnior ficavam observando o movimento no lado de fora. A polícia descobriu posteriormente que Heraldo planejou este assalto e deu informações privilegiadas aos comparsas, pois ele conhecia a casa e o proprietário dela.

Quase mortos – Entre os outros crimes descobertos pela polícia, está uma dupla tentativa de homicídio que aconteceu há três semanas, durante uma cavalgada em Carmópolis (Vale do Cotinguiba). Segundo a delegada Mayra, Heraldo encontrou um antigo inimigo em meio aos foliões e decidiu matá-lo ali mesmo. Primeiro, o acusado se armou com uma faca e atingiu o rapaz, mas ele conseguiu escapar. Frustrado, ele saiu para buscar uma arma e voltou decidido a terminar o crime, mas, ao disparar, acabou acertando o cunhado deste inimigo, que também saiu ferido. Os rapazes sobreviveram e estão sendo acompanhados pela polícia, que ainda investiga mais detalhes do caso e prefere manter o nome das vítimas em sigilo.  

O DRFV também já investigava o grupo pelos roubos dos carros e passou a trocar informações com a 4ª DM. Descobriu-se que Magno já teve sua prisão decretada por assaltos na região de Estância e Lucas, apontado como parceiro de Magno e Heraldo, é acusado de assaltar um empresário na saída de um supermercado da capital. Os três também já respondiam a processos por homicídio. As investigações mostram ainda que os acusados costumavam ostentar bens, andando com carros de luxo, relógios caros e roupas de marca, o que levou os policiais a batizarem a operação com o nome "Playboys".

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